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Cultura popular e artesanato

Afoxé Omô Nilê Ogunjá promove desfile pelas ruas do Recife Antigo

Manifestação acontece nesta terça-feira (21), homenageando mulheres negras que lutam contra o racismo em Pernambuco

Foto: Gláucia Bruce

Por Roberto Moraes Filho

Em parceria com o centro cultural Paço do Frevo, o Afoxé Omô Nilê Ogunjá realiza nesta terça-feira (21), pelas ruas do Bairro do Recife, o seu tradicional desfile na semana pré-carnavalesca da capital pernambucana. Possuindo como tema ‘Mulher. Negritude. Liberdade’, a manifestação irá homenagear este ano 10 mulheres negras, com histórias de vida tendo em comum a luta contra o racismo e a batalha diária para se firmarem.

Foto: Gláucia Bruce

O cortejo terá sua concentração em frente ao Paço do Frevo, na Praça do Arsenal da Marinha, de onde sairá às 19h, apresentando novas roupas, músicas, coreografias e adereços do afoxé, expandindo o lema ‘Pense Feminino Negro’ no seu discurso artístico. O grupo realizará durante o trajeto, um momento de forte carga simbólica na ritualística do candomblé: o padê para Exu. E após cantar para o orixá Ogum, patrono do Afoxé, seguirá em cortejo pela Rua do Bom Jesus até chegar à margem do Rio Capibaribe, em frente ao Paço Alfândega.

Conhecido por agregar centenas de foliões, o Afoxé Omô Nilê Ogunjá reúne mais de 30 batuqueiros e batuqueiras, um corpo de dança afro que este ano conta com 25 integrantes, além de cinco cantoras e muitos admiradores.

Confira abaixo as homenageadas do Afoxé Omô Nilê Ogunjá no Carnaval 2017:

- Gabriela Bruce: Artivista. Realiza ações que fomentam o empoderamento de meninas e mulheres negras. Grafiteira desde 2004, há doze anos integra o movimento Hip Hop em Pernambuco e no Nordeste.

- Denise Botelho: Professora-Orientadora do Programa de Pós-Graduação em Educação, Culturas e Identidades (PPGECI) da Universidade Federal Rural de Pernambuco e Líder do Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação, Raça, Gênero e Sexualidades “Audre Lorde” (Geperges Audre Lorde). Desenvolve atividades de ensino, extensão e pesquisa nas áreas de ensino religioso e religiões de matrizes africanas.

- Dona Helena: Costureira. Há oito anos faz as roupas do Afoxé Omô Nilê Ogunjá. Moradora da UR-3, Ibura, há 40 anos.

- Mãe Mana de Xangô Aganju: Yalorixá iniciada no candomblé há mais de 40 anos, é uma das responsáveis pelo Afoxé Ará Odé, o mais antigo em atividade em Pernambuco. Com sua irmã biológica, Mãe Lu de Oxalufã, são as primeiras yaôs de Nação Jeje trazidas ao mundo do candomblé pernambucano pelas mãos do Tata Raminho de Oxóssi.

- Drª Maria Bernadete Figueiroa: Procuradora. Ingressou no Ministério Público de Pernambuco em 1984. Coordena o Grupo de Trabalho de Combate ao Racismo e desde 1990 atua no enfrentamento à Violência Doméstica junto aos Movimentos Sociais.

- Mestra Joana Cavalcante: Mestra de maracatu, Yakekeré (mãe pequena, segundo cargo feminino mais importante num terreiro de Candomblé), artista popular. Primeira, e única até então, mestra de batuque de um maracatu, no caso, o Encanto do Pina. Fundadora do grupo de coco Mazuca da Quixaba, criado em 2006, e do Baque Mulher – primeiro grupo de maracatu de baque virado composto só por mulheres.

- Mãe Andréa de Oyá Topé: uma das fundadoras do Afoxé Omô Nilê Ogunjá, do qual faz parte desde 2004, e é atualmente uma das diretoras e também integra a Ala de Canto. Iniciada há 25 anos no orixá e na jurema. Participou do fortalecimento político e espiritual de diversos grupos da cultura popular e tradicional. Integra a Rede de Terreiros de Mulheres de Pernambuco e é mentora e gestora do Centro Cultural Omi D’yin.

- Dona Rosinha: uma das moradoras mais antigas da comunidade do Bongi é também a maior apoiadora das diversas atividades do Afoxé nesta comunidade.  Comanda uma família de muitos negros e negras: dez filhos (dois morreram), três enteados, catorze netos e quatro bisnetos. Uma mãe-mulher brasileira que foi costureira, confeiteira e criou os/as filhos ensinando sobretudo a partilha.

- Maria de Jesus Moura: Militante do Movimento Negro, Jesus Moura atuou no Centro de Referência Clarice Lispector. Hoje coordena o Núcleo Técnico de Educação e Relações Raciais da Faculdade dos Guararapes. É Conselheira Gestora do Observatório Negro e membro da ANPSINEP – Articulação Nacional de Psicólogas/os Negras/os e Pesquisadoras/es das Relações Raciais e Subjetividades.

- Mãe Lu de Oxalufã: A primeira e única Rainha dos Afoxés em Pernambuco. De profunda relação com o nascimento deste brinquedo em nosso estado, é diretora do Afoxé Ará Odé – também chamado Povo de Odé, o afoxé mais antigo em atividade em Pernambuco. São trinta e quatro anos ininterruptos. Yalorixá da Roça Jeje do Tata Raminho de Oxóssi, assim como sua irmã biológica, Mãe Mana (também homenageada), tem iniciado muitos filhos e filhas no Candomblé.

Serviço:
Desfile de abertura do Carnaval 2017, do Afoxé Omô Nilê Ogunjá, com o tema ‘Mulher. Negritude. Liberdade’
Quando: terça-feira, 21 de fevereiro
Onde: saída em frente ao Paço do Frevo (Praça do Arsenal da Marinha, no Bairro do Recife).
Horário: às 19h - Cerimônia em homenagem a 10 Mulheres Negras com a presença das homenageadas, cantos e dança, seguidos de cortejo até a margem do Rio Capibaribe, em frente ao Paço Alfândega.
Acesso gratuito 

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