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Cultura popular e artesanato

Juremeiros e juremeiras encontram-se no XII Kipupa Malunguinho

Considerado o maior encontro do culto da Jurema do país, o evento, gratuito, acontece neste domingo, no Sítio do Juarez, em Abreu e Lima

Céu Mendonça

As matas sagradas da Jurema no Quilombo do Catucá se abrem mais uma vez o XII Kipupa Malunguinho – Coco na Mata do Catucá. O encontro acontece neste domingo (24), na área rural do município de Abreu e Lima, em sua décima segunda edição, sendo o maior encontro de juremeiros e juremeiras do Brasil. O evento reverencia o rei Malunguinho, líder quilombola índio que lutou pela liberdade do seu povo na primeira metade do século XIX. Hoje, visto pelos fiéis como uma divindade da Jurema. Além de reunir praticantes, simpatizantes e curiosos da religião da Jurema, que levam suas oferendas para a Mata, o encontro conta ainda com uma rica e diversa programação. Tudo movido ainda por muita consciência política, com manifestações contra o racismo e a intolerância religiosa.

Na programação, haverá a Fundação e Consagração do Maracatu Nação Malunguinho, apresentação dos Bacamarteiros Mandacarú e dos grupos Chinelo de Iaiá, Mazurca da Quixaba e Mestre Zeca do Rolete. O evento também homenageia com o prêmios “Mourão Que Não Bambeia” algumas personalidades da Jurema. Este ano, os homenageados são: Dona Zefinha de Nanã, Mestra Alaíde de Benedito Fumaça (Caruaru), Mestre Ciriaco de Alhandra (Paraíba), Mãe Gerusa do Pina, Mãe Alda de Pedro Pires e Mãe Djanete de Limoeiro.

Céu Mendonça

“Entre suas atividades, teremos o tradicional ritual coletivo às entidades e divindades das matas, que a cada ano concedem muitas graças na vida de quem com fé vai fazer suas oferendas e firmações. Também teremos a 1° Feira Malunguinho de Produtos Religiosos, o 1° Kipupinha com atividades educacionais, mini parque para as crianças, distribuição do tradicional “Cosme e Damião”, e, shows de alto nível da cultura popular com grandes mestres e mestras do coco e da mazurca”, conta o mestre e pesquisador Alexandre Lomi Lodo, organizador do evento.

Carol Melo

Segundo ele, o Kipupa é o lugar das “possibilidades espirituais”. Lá, quem busca respostas, pode esbarrar em uma entidade que lhe revele os caminhos da vida… Lá também, remédios podem ser lhe dados para a cura de todos os tipos. “Nas matas sagradas, quem desejar sentir a força verdadeira das raízes da Jurema, vá com o coração limpo para receber a graça da força da natureza em sua mais pura essência. Pisar no chão, sentir o cheiro da fumaça da Jurema, beber seu sagrado vinho, sentir os tambores bater e vibrar na pisada do coco com todo povo de terreiro que se faz massiçamente presente, é uma chance de aprender e trocar saberes”, coloca.

Feira Colaborativa – Pela primeira vez será realizada uma feira colaborativa dentro do Kipupa Malunguinho, com artesãos e artesãs que vão espontaneamente ao evento e vendem seus produtos livremente. O objetivo é apresentar ao público a diversidade de produtos ligados à Jurema, como ervas, artefatos religiosos, roupas, colares, instrumentos, cachimbos, e todo tipo de artesanato ligado ao imaginário afro indígena, com intuito de fortalecer a nossa identidade e contribuir no crescimento de investimentos em projetos negros indígenas no mercado de artesanato.

Serão 10 bancas, distribuídas entre dez grupos ou coletivos que irão pagar um valor simbólico de 75 reais pelo aluguel de uma banca, para exporem seus produtos. As vendas poderão ser feitas em dinheiro e também em cartão de crédito, para facilitar o fluxo e o acesso aos produtos pelo público.

Os interessados em expor seus artesanatos podem entrar em contato com os organizadores através do telefone 99525-7119.

Como chegar – O evento é completamente gratuito. E para os que ainda não sabem como se organizar, em vãs ou carros, a organização disponibiliza ônibus que saem às 07h da manhã do Pátio do Carmo, no centro do Recife e também do Nascedouro de Peixinhos. O valor do bilhete do transporte é de R$ R$: 30 reais e pode ser adquirido antecipadamente no Mercado de São José, no box de Eliane. Os terreiros e grupos podem organizar suas caravanas individualmente.

A mata fica no município de Abreu e Lima. A entrada é pela rua Capitão José Primo, tendo como ponto de referência o Terminal dos Kombeiros, na entrada de Caetés, no centro de Abreu e Lima. Todo o caminho estará sinalizado com banners nos postes e paredes. Do centro de Abreu e Lima até o local do evento, que acontece no Sítio de Juarez, são 11km de estrada de barro, que segundo a organização está plana, sem buracos, em boas condições.

Recomenda-se, para os homens, roupas tradicionais da Jurema (ou roupa branca), calça, camisa e chapéu. As mulheres podem vestir saias coloridas, torso ou chapéu. Todos podem levar cachimbos, maracás, ilús, pandeiros e todos os objetos que acharem necessário. Quem desejar levar oferendas para Malunguinho deve levar produtos perecíveis, para não poluir a mata. Também é proibido acender velas.

PROGRAMAÇÃO DO 1° KIPUPINHA MALUNGUINHO

10:30h – Cortejo com cestinhas de oferendas para as matas sagradas.

14:00 – Abertura do Espaço do Kipupinha Malunguinho com a atividade do Caçando Estórias – Kemla Baptista (contação de histórias da Jurema).

14:30 – Vivência para Construção coletiva do Painel Lúdico Educativo dos Reis Malunguinho e brincadeiras.

15:30 – Apresentação das Crianças da Jurema e do Painel de Reis Malunguinho no Palco Principal do Evento.

16:00 – Distribuição do Tradicional Cosme e Damião para as Crianças e brindes.

16:00 ás 17:00 – Abertura do Parquinho para Recreação.

Mais informações:

81. 98887-1496 / 99525-7119 / 99428-7898 ou 99955-9951

 

 

 

 

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