Pular a navegação e ir direto para o conteúdo

O que você procura?
Newsletter

Espaços culturais

Mulheres gestoras lideram equipamentos culturais de Pernambuco

Durante o mês de março, o Governo de Pernambuco celebra as mulheres que contribuem com a política pública através da gestão da maioria de nossos equipamentos culturais

Jan Ribeiro

Jan Ribeiro

Dez, dos treze equipamentos culturais geridos pelo Governo de Pernambuco, têm mulheres no comando

*Colaboraram Camila Estephania, Jan Ribeiro, Michelle de Assunção, Denizá Rodrigues e Fernando Figueirôa

Instituído como o Dia Internacional da Mulher pela ONU em 1975, o 8 de março destaca o debate sobre a atuação da mulher na sociedade buscando combater a desigualdade de gênero e promover um mundo mais equilibrado. Porém, para além da movimentação em torno da data, mulheres do mundo todo travam uma batalha diária para ocupar mais espaços e ter a sua experiência e o seu conhecimento reconhecidos dentro e fora de casa.

Com uma rede de equipamentos culturais formada por 13 espaços, dos quais 10 deles são geridos por mulheres, o Governo de Pernambuco, através da Secult-PE/Fundarpe, reafirma a importância da contribuição feminina para a gestão pública. A multidisciplinaridade de saberes proporcionada pela vivência das mulheres acrescenta à sua formação uma bagagem única, que pode trazer diferentes pontos de vista para um equipamento cultural, destacando, inclusive, programações mais democráticas, que buscam destacar artistas homens e mulheres igualmente. Por isso, aproveitamos o mês de março para apresentar e ouvir nossas gestoras sobre a maneira como elas percebem o papel da mulher na gestão cultural.

Jan Ribeiro

Jan Ribeiro

Amélia Campello é gestora do Museu do Barro de Caruaru

Eu me enxergo realizada por ser mulher, por ser mãe e por ser gestora. Gestora é gerir e quando a gente gere, a gente cuida, cria, e essa é a minha função em Caruaru, à frente do Museu do Barro. Cuidar do acervo, promover exposições, receber bem os turistas, inovando com palestras, eventos. Procuro fazer trabalho em parceria com outras instituições e outras comunidades em Caruaru. Esse trabalho da preservação da memória é um trabalho que me gratifica, como mulher, como pessoa, porque estou mostrando a riqueza cultural do nosso estado, através do artesanato”, diz Amélia Campello, gestora do Museu do Barro.

Jan Ribeiro

Jan Ribeiro

Ana Cláudia Wanguestel é gestora do Teatro Arraial Ariano Suassuna

Falar sobre a importância da mulher na gestão cultural é, a princípio, falar de luta. Luta que se estende a outros lugares, segmentos e situações, quando o debate se refere à igualdade e aos direitos femininos. Lutamos por igualdade de oportunidades, queremos apenas o que nos é de direito. Seja na gestão pública, privada, administrativa, cultural, teremos mulheres que trazem seriedade, determinação e sensibilidade para o exercício da profissão. Precisamos sim, é que a cultura não perca sua relevância como ferramenta de identidade e apropriação dos costumes do nosso povo para que homens e mulheres, juntos, construam bases sólidas para um fazer cultural justo e democrático”, enfatizou Ana Cláudia Wanguestel, gestora do Teatro Arraial Suassuna.

Jan Ribeiro

Jan Ribeiro

Ana Maria Correa é gestora do Museu Regional de Olinda

O Museu Regional de Olinda é uma casa estilo pernambucano. Eu, como mulher, me sinto assumindo a casa. Eu tomo conta daquele espaço, que tem peças bem antigas, dos séculos  XVII, XVIII, XIX. A gente tem aquele carinho e cuidado que toda mulher tem com a sua casa. O Museu é uma extensão disso, um espaço de cultura que a gente tem que ter muito cuidado, muito carinho. Tenho cuidado para não deixar nada quebrar, destruir, quando acontece alguma coisa procuro restaurar logo”, observa Ana Maria Correa, gestora do Museu Regional de Olinda (Mureo).

Divulgação

Divulgação

Célia Labanca é gestora do Museu de Arte Contemporânea (MAC)

Acredito que toda gestão pública deveria ser feita por mulheres, por conta da tranquilidade, da inteligência emocional e da parcimônia com a realidade. Acho que isso é fundamental na gestão. Na área de cultura, principalmente, pois temos sensibilidade e agilidade para tratar do espaço público e da obra de arte. A mulher tem uma capacidade muito grande de reivindicar um direito que é do povo em relação ao equipamento. Através dele, a cidadania pode ser expandida pelo Estado”, frisou Célia Labanca, gestora do Museu de Arte Contemporânea (MAC).

Jan Ribeiro

Jan Ribeiro

Conceição Santos é gestora da Torre Malakoff

A Torre Malakoff é um desafio. Não foi fácil, no início, com uma equipe formada quase totalmente por homens e apenas 3 ou 4 mulheres. A gente sofreu um pouco de resistência, mas, aos poucos, as pessoas foram se adaptando e entendendo nosso papel. A cultura pode fornecer elementos que levem a população a refletir sobre a importância da mulher na arte. Fizemos varias atividades na Torre Malakoff com produção, exposições, shows, com mulheres sendo as protagonistas. Isso é o que nós acreditamos que os espaços culturais devem ser: de portas abertas. Eles estão aí para a comunidade. Com essas movimentações culturais, queremos mostrar que as mulheres podem tudo”, aponta Conceição Santos, gestora da Torre Malakoff.

Divulgação

Divulgação

Ésia Guerra é gestora do Cineteatro Guarany

Nesse contexto atual, os desafios são importantes para nós, pois são uma forma de consolidar nossa presença e contribuição, enquanto mulheres, para a sociedade, através de nossas conquistas, criações e inovações. Afinal somos formadoras de opiniões e somos uma grande fábrica de ideias”, fala Ésia Guerra, gestora do Cineteatro Guarany.

Jan Ribeiro

Jan Ribeiro

Juliana Rezende é responsável pela Casa da Cultura Luiz Gonzaga

Com um perfil multitarefa e agregador, que consegue enxergar vários ângulos da gestão de uma forma mais holística, estamos, mesmo com muito ainda a alcançar, ocupando espaços cada vez mais importante em uma área ainda com muita preponderância masculina. Essa diversidade aponta para a diversificação, impactando positivamente na gestão da cultura em todos os âmbitos. Unimos nossos esforços diariamente na gestão e na condução de ações que visam o fortalecimento e a preservação das diversas faces e formas da cultura. Por isso, precisamos ser respeitadas, reconhecidas, colocadas em condição de igualdade e nunca tratadas de forma diferente”, comenta Juliana Rezende, responsável pela Casa da Cultura Luiz Gonzaga.

Jan Ribeiro

Jan Ribeiro

Márcia Chamixaes é gestora da Estação Central Capiba – Museu do Trem

Para mim, é uma grande satisfação, gerir um espaço de tanta importância, porque, além de preservar a memória ferroviária tão importante para o desenvolvimento econômico e social de Pernambuco, temos a oportunidade de interagir numa área da cidade de grande importância histórica, com comunidades tradicionais para o Estado. Nós conseguimos articular diversas atividades privilegiando esse público feminino. A gente, como mulher tem esse olhar da importância social das mulheres para a construção de uma sociedade mais equilibrada, mais afetiva, mais estável do ponto de vista também da questão emocional, porque a mulher, desde todas as etapas de sua vida, é acostumada a atuar de forma plural. Ela é a mãe, é a pessoa que faz esse amálgama e transforma realmente a sociedade num local de acolhimento”, reflete Márcia Chamixaes, gestora da Estação Capiba/ Museu do Trem.

Divulgação

Divulgação

Margot Monteiro é gestora do Museu do Estado de Pernambuco (MEPE)

O mais importante é o gestor ter o conhecimento, aprofundamento e vivência com a arte. Não acredito que a mulher seja melhor ou pior que os homens, mas acho que existe uma forma de trabalho que deixa as pessoas mais à vontade. O gestor tem que estar à frente dos acontecimentos contemporâneos, pois é uma área que tem mudanças todo momento. A mulher tem facilidade e é mais sensível para acompanhar isso e lidar com problemas administrativos. Tenho uma história de muitos anos nessa parte artística e sempre foi um trabalho em grupo muito positivo, porque as pessoas se sentem bem, se doam muito e trabalham com amor. Acho que as mulheres proporcionam um ambiente mais familiar e isso facilita bastante”, avalia Margot Monteiro, gestora do Museu do Estado de Pernambuco (MEPE).

Jan Ribeiro

Jan Ribeiro

Marília Mendes é gestora do Espaço Pasárgada – Casa de Manoel Bandeira

Em Pernambuco, observo que as mulheres vêm exercendo um papel expressivo e fundamental na educação, na cultura e na formulação de políticas públicas. A presença das mulheres na gestão cultural tem uma importância crucial não só pela representatividade de gênero. Ela vem para garantir os espaços de expressão da pluralidade cultural, religiosa, social, racial, sexual e afetiva da mulher, numa perspectiva de convivência com as diferenças, que soma e integra o todo. É pelo conhecimento e reconhecimento dessas faces que podemos plantar e no futuro colher frutos de uma cultura mais justa e igualitária”, conclui Marília Mendes, gestora do Espaço Pasárgada/ Casa de Manuel Bandeira.

Assista ao vídeo sobre elas:

< voltar para home