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Do fricote que esquenta Garanhuns

Garanhuns teve uma noite para bailar, ao som de Luiz Caldas e Academia da Berlinda. The Rossi cantou os grandes sucessos do eterno "Rei do Brega", o Reginaldo

por Leonardo Vila Nova

A natureza essencialmente festiva e sensual do povo brasileiro está entranhada em quase todos os aspectos da sua vida. Mas, principalmente, na sedução, no gingado, no requebrado. Esse suingue e essa malícia marcaram presença no Palco Mestre Dominguinhos, na última terça (22). Apesar de parecer a noite mais fria deste FIG, até então (relógios marcando 16º e um vento que reforçava a gélida sensação térmica), o público, caliente que só ele, estava mesmo era pegando fogo! E não era pra menos. As duas atrações que fecharam a noite tem no remelexo o seu maior trunfo! O músico baiano Luiz Caldas e a banda pernambucana Academia da Berlinda deram o tom da noite: dançar, dançar muito.

Costa Neto/Secult-PE

Costa Neto/Secult-PE

Victor Camarote cantou alguns dos sucessos de Reginaldo Rossi, junto com a banda The Rossi

Quem também passou pelo Palco Dominguinhos foi a The Rossi, a banda original do cantor Reginaldo Rossi, que faleceu no ano passado. O “Rei”, como era chamado, esteve presente em inúmeras edições do FIG. Pela primeira vez, os músicos da banda pisariam no palco principal do festival sem sua majestade. “É um momento marcante pra gente, pois sempre fomos uma família, e hoje estamos sem o ‘pai’ dessa família. Mas, o mais importante aqui é dar seguimento à obra de Reginaldo Rossi, tão querido por todo o público”, disse Ernesto Praça, trompetista da banda. “O microfone dele, o cigarro dele continuam lá, no mesmo lugar do palco. É como se ele estivesse ali, conosco, no canto que sempre foi dele”, complementou Ledo Silva, percussionista. A noite foi, realmente, um apanhado dos maiores sucessos de Reginaldo, com direito a “Mon amour, meu bem, ma femme”, “A raposa e as uvas”, “Eu devia te odiar”, “Pedaço de mau caminho”, e, óbvio, “Garçom”. O show contou com a participação do cantor Victor Camaroti, que cantou algumas músicas com o grupo. Antes e depois da participação de Victor, os músicos da banda se revezavam nos vocais de cada uma das músicas, mas sempre em reverências ao Rei, símbolo maior daquele show.

E eis que começava a ferver! O cantor, compositor e instrumentista baiano Luiz Caldas trouxe todo o seu fricote para o palco, e fez um show onde não havia o menor espaço sequer para a monotonia. Um dos criadores da Axé Music (que completa 30 anos, em 2015), Caldas tomou de assalto o público logo na primeira música do show. Uma entrada com pegada de rock’n'roll, noturna, sinistra. Mas, logo na sequência, o tradicional rebolado baiano tomaria conta do show. Na “tropicalidade” de Luiz Caldas cabe tudo: reggae, axé, rock’n'roll… A cada música, uma surpresa: uma versão do “Bolero de Ravel”, em samba-reggae, a música “Primeiros erros”, de Capital Inicial, solos de guitarra, com “Sultans of swing”, do Dire Straits, a curiosa versão, em português, de “Three Little Birds”, de Bob Marley, e até uma pegada de frevo baiano, ao tocar “Vassourinhas”. “Nós, da Bahia, quando criamos a Axé Music, tivemos também como referência o frevo daqui, pra que a gente pudesse fazer algo com a alegria parecida com a de vocês, pernambucanos”, disse Caldas.

Costa Neto/Secult-PE

O suingue baiano de Luiz Caldas botou Garanhuns pra requebrar ao som do fricote, axé, reggae, rock

Edvaldo Passos, comerciante, 48 anos, acompanhou o bloco “Haja amor”, comandando por Luiz Caldas, quando de sua passagem pela cidade, na Garanheta, nos anos de 1990. Fez questão de levar a filha, Vitória, 17, para conhecer o som do baiano. “É algo que ultrapassa gerações. Estive no bloco, acompanhando o trio, com ele cantando. Um ótimo artista, que faz um som alegre, pra cima”, disse Edvaldo. Vitória também curtiu o show, sendo a primeira vez que via uma apresentação de Luiz Caldas, ao vivo. “Não lembro dele, exatamente, mas tenho algumas poucas lembranças da época. Mas estou gostando muito, porque ele consegue levantar a plateia”.

Não poderiam faltar os grandes sucessos de Caldas, que instigaram todas as variações de rebolados possíveis pela plateia. “Haja amor”, “Tieta”, “O que é que essa nega quer?”, “Ajayo”, “Mademoiselle”, entre outras, mostraram que Luiz Caldas, com seus 51 anos, e sua Axé Music, com quase 30, continuam em plena forma. Mas o grande sucesso da noite mesmo foi “Fricote” (a conhecida “Nega do cabelo duro”), que fez todo mundo pular e dançar fervorosamente, inclusive conquistando novas plateias.

André Conserva, alter ego do músico Jean Nicholas, é roqueiro assumido, assistiu ao show e se disse surpreendido com a performance de Luiz Caldas, em palco, apesar de confessar ter certa resistência inicialmente. “Paguei a minha língua! Eu nem estava muito a fim de assistir, mas o pessoal com quem eu vim insistiu. Mas aí, acabei achando massa o show dele!”, declarou. E, também para a surpresa de Jean Nicholas, Caldas encerrou o show com “Time”, do Pink Floyd (do clássico disco “The dark side of the moon”), arrematando, de uma vez por todas, um show onde o gingado de Garanhuns foi posto à prova, e aprovado com louvor.

Costa Neto/Secult-PE

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Academia da Berlinda fechou a noite com cumbias, merengues e outras mumunhas mais

Quem fechou a noite foi a banda Academia da Berlinda. Com suas cumbias, merengues, lambadas e outras mumunhas mais, o grupo transformou a Praça Mestre Dominguinhos num grande salão de dança. Seja para bailar juntinho ou para entrar na “gréia” das sátiras bem-humoradas nas letras do banda, o importante era se esbaldar. “Fui humilhado”, “Filhinho”, “Envernizado” e “Ivete” foram apenas alguns dos hits malemolentes da banda presentes no set list da apresentação. Com direito à imitação de Lia de Itamaracá, feita por Urêa, e a música nova, “Manteiga no pão”, os olindenses encerraram uma noite onde, desde uma batidinha com o pé até os mais ousados passos, qualquer remexido valeu a pena.

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