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Festival de Inverno

Grandes nomes da literatura brasileira estão na Praça da Palavra

Raimundo Carrero e Mário Rodrigues conversaram com o público sobre suas obras e a representação do romance nordestino no cenário nacional

Por: Ana Beatriz Caldas

Laís Domingues/Secult-PE/Fundarpe

Laís Domingues

Bem-humorado, Carrero conversou sobre sua vida e obra e respondeu perguntas da plateia

Em um novo corpo. É assim que o jornalista e escritor pernambucano Raimundo Carrero se define após ter sofrido um acidente vascular cerebral (AVC) em 2010, que comprometeu parte de seus movimentos, mas não sua necessidade de escrever todos os dias. Vencedor de grandes prêmios nacionais de literatura, como o Oswald de Andrade e o Jabuti, lançou, em 2015, um romance autobiográfico sobre a experiência, “O senhor agora vai mudar de corpo”. No último sábado (23), Carrero conversou com o professor e escritor garanhuense Mário Rodrigues na Praça da Palavra sobre sua obra e a representação do romance nordestino no cenário nacional.

Carrero falou, para uma plateia cheia, sobre o que ele considera a “nova invasão do nordeste” na literatura brasileira. Para ele, apesar dos questionamentos sobre as dificuldades da produção e comercialização literária em nossa região, cada vez mais os escritores têm conseguido espaço no resto do país, alcançando grandes premiações e até editoras internacionais. “Se apagarem os romances do nordeste da história, não haverá mais grandes romances, com raríssimas exceções”, enfatizou o autor, que lamentou que o cenário literário do estado seja visto com pessimismo, já que alguns dos maiores destaques brasileiros nasceram ou passaram por Pernambuco, a exemplo de João Cabral do Melo Neto e Clarice Lispector, que passou parte de sua juventude na cidade do Recife.

Laís Domingues

Laís Domingues

Professor de língua portuguesa e escritor, Mário tem se destacado na literatura contemporânea do estado

Raimundo saudou o colega, Mário – um dos vencedores do Prêmio Sesc de Literatura -, e seus conterrâneos Helder Herik e Nivaldo Tenório, escritores que têm se destacado e criado um novo legado quando se fala da cidade de Garanhuns e sua relação com a escrita. “Vir para Garanhuns é sempre uma grande festa, pois essa é uma cidade de grandes escritores e também de grandes leitores, além dos amigos queridos que me fizeram estreitar a relação com a cidade. Valorizem Mário, Helder, Nivaldo, que têm contribuído para que a literatura continue pulsante por aqui. Cultuem esses autores”, pediu aos presentes.

Na ocasião, Carrero também falou sobre o ofício de escritor, dando dicas aos interessados em construir suas próprias narrativas. “O autor tem que saber enganar, direcionar o olho do leitor em suas cenas, além de valorizar o uso de palavras simples sobre coisas simples. O autor não diz, ele mostra. Quem diz alguma coisa é o jornal, o ensaio. O escritor tem que seduzir e conquistar o leitor, que, se gostar, nunca mais vai embora”, brincou.

As veias da América nordestina

No primeiro dia da Praça da Palavra, abrindo a programação, a fotógrafa francesa Dominique Berthé também marcou presença, ao relançar seu segundo livro, “Paisagem”, que reúne uma série de fotografias realizadas desde que se mudou para o Brasil, no início dos anos 2000. O trabalho visual da artista, que exibe marcas e texturas da geografia e do povo nordestino, se assemelha a um filme de road-trip, em que as imagens juntam-se às indistinguíveis memórias de Dominique. “Quando você faz um livro, ele é do público, não lhe pertence mais. Esse é o meu jeito de mostrar os traços nordestinos. São detalhes, linhas, corpos que vocês vão descobrir”, explicou Berthé.

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