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Festival de Inverno

Trinta mil pessoas vibram com a Nação Zumbi em Garanhuns

Os cantores Di Melo, Clayton Barros e a banda Loucos Nordestinos também animaram o público na segunda-feira (25)

Por: Ana Beatriz Caldas

Leo Caldas

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Mesmo na segunda, as atrações do FIG 2016 encheram a Esplanada Mestre Dominguinhos

Ainda que fosse segunda-feira, a esplanada Mestre Dominguinhos fervilhava na noite de ontem (25), quando cerca de 30 mil pessoas prestigiaram o ápice do quinto dia do FIG. Enquanto a maior parte do público não chegava, rodas de coco e ciranda se formavam, de forma independente, entre amigos, no local. Artistas de rua vendiam artesanato e faziam malabares. Pouco depois, se apresentariam quatro nomes pernambucanos no maior palco do FIG: os rappers Loucos Nordestinos, os cantores Clayton Barros e Di Melo e a banda Nação Zumbi. Em comum, além do estado natal, o dom de deixar o público a vontade e animado durante toda a noite.

Loucos Nordestinos, conhecido coletivo de rap de Garanhuns que costuma se apresentar em eventos locais, subiu ao palco mais cedo, às 20h, mas já com fãs à espera para a mistura de rap, hip hop, reggae e ritmos regionais, como o coco de embolada. O cantor Clayton Barros, ex-integrante do Cordel do Fogo Encantado, que já havia se apresentado com a banda várias vezes no festival, mostrou pela primeira vez músicas de seu disco solo, “Primitivo atemporal”, no palco principal do FIG, onde também já se apresentou com a banda “Os Sertões”, em 2013. Barros descreveu o novo show como um momento de “lembranças, acontecimentos e prenúncios”, já que também relembrou algumas canções dos antigos grupos dos quais fez parte.

Leo Caldas

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O cantor Clayton Barros voltou à Garanhuns para apresentar canções do seu disco solo

Após o show enérgico, Clayton saudou os dois musicistas que dão tom à essa edição do festival: Dominguinhos, que dá nome ao palco principal e a maior praça da cidade, e Naná Vasconcelos, nosso homenageado, que tem se feito presente a cada atração. “Dominguinhos foi um dos maiores músicos e um dos maiores seres humanos do mundo. Também aprendi muito sobre a vida com Naná, o que afetou meu trabalho. Aproveitar a passagem das pessoas que você conviveu na sua vida, como eles, e absorver o máximo de seu comportamento, posicionamento, musicalidade e felicidade com o que faz é extremamente necessário”, pontuou.

Leo Caldas

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Di Melo apresenta seu novo disco, “Imorrível”, em grande volta aos palcos

No backstage, antes mesmo de se apresentar, o cantor Di Melo já brincava com todos, distribuindo abraços, beijos e gargalhadas a quem lhe encontrasse pelo caminho. O bom humor do pernambucano radicado em São Paulo era prenúncio do que viria a mostrar no palco, onde lançaria em Garanhuns o seu “Imorrível”, disco finalizado no ano passado, após trinta anos de seu primogênito e muitos boatos sobre uma suposta morte do cantor. Há alguns anos, com o samba-rock voltando a fazer a cabeça dos jovens, redescobriram seu grande hit, “Kilariô”, fazendo com que Di Melo reivindicasse sua presença no mundo e voltasse às gravações – já que dentro e fora do Brasil, ninguém aceitava que um músico tão excepcional apenas tivesse lançado um álbum.

O boato da morte de Di Melo, após um desastre de moto e o sumiço autoral do músico, foi, na verdade, uma ressurreição. Em 2009, o documentário “Di Melo, imorrível” foi lançado, premissa do disco que sairia em 2015, misturando jazz, blues, rock e trazendo o cantor de volta aos palcos. “Meu público tem jovens de todas as idades e eu me identifico muito com isso, esse é o meu combustível, e a satisfação de estar aqui é inenarrável, uma honra, uma glória”, afirmou. Aos 70 anos, o artista contagiou, de fato, cada um dos jovens presentes, desde os que sabiam suas letras de cor aos que apenas dançavam ao som dos metais da banda do grande “soul man brasileiro”. Possivelmente, todos compartilhavam do pensamento de que não havia melhor título para Di Melo. Sua volta aos estúdios – e seus shows – garantem sua imortalidade.

Um passeio no mundo livre

Sempre presentes no FIG, mas nunca menos aguardados, os integrantes da Nação Zumbi fizeram um grande show de encerramento, com a turnê que celebra os 20 anos do disco “Afrociberdelia”, um dos mais importantes discos na história da música brasileira e um dos grandes passos do início do movimento manguebeat. No ano em que o idealizador da banda, Chico Science, faria 50 anos, o show-homenagem contou com clássicos da época em que Science comandava a banda, como “O cidadão do mundo”, “Etnia”, “Um passeio no mundo livre”, “Maracatu atômico” e “Macô”, recebidas como se o próprio Chico se fizesse presente no palco. Além de saudações a Naná Vasconcelos em vários momentos do show, a NZ também relembrou David Bowie, morto em janeiro desse ano e um dos grandes ídolos da banda.

Leo Caldas

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A turnê que celebra os 20 anos do álbum “Afrociberdelia” chega a Garanhuns com grandes homenagens e sucessos do último disco da banda

Com um setlist de quase 20 músicas, o grupo também tocou hits de seu último disco, autointitulado, de 2014, a exemplo das já aguardadas “Defeito perfeito”, “Foi de amor”, “Um sonho”, “Bala perdida” e “Cicatriz”. Um dos pontos altos do show foi uma nova versão de “Meu maracatu pesa uma tonelada”, com instrumentos elétricos mais afiados, apresentada ao público do Marco Zero no carnaval de Recife desse ano – e no próximo carnaval, os fãs já podem esperar novidades, já que um novo disco da banda deve sair no primeiro semestre do ano que vem. “Estamos saindo do canto em relação ao som e as ideias ainda são bem miúdas, mas estamos começando a juntar os fragmentos”, contou o vocalista do grupo, Jorge Du Peixe. Atração que sempre leva muitos fãs ao festival, a Nação Zumbi mais uma vez fez um dos shows mais memoráveis da programação. “Cada vez que a gente vem ao festival, a recepção é melhor. O público sempre se faz presente e participa, então a gente já vem com alma lavada, sabendo que vai ser um bom show”, comemorou Du Peixe.

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