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Formação Cultural

Escola municipal recebe através do Outras Palavrinhas a magia dos mamulengos

Edição realizada no Recife, na última segunda-feira (18), teve também apresentação da Fada Magrinha, que leva às crianças, de forma lúdica, o universo da cultura popular pernambucana

Rodrigo Ramos/Secult-PE

Rodrigo Ramos/Secult-PE

Apresentação foi feita pela Trupe Mulungu de Teatro, criada em 1998 em Olinda

Por Marcus Iglesias

A magia do teatro de mamulengos, guiada pelas mãos da Trupe Mulungu de Teatro, encantou crianças e adultos que participaram nesta última segunda-feira (19) do Outras Palavrinhas, um dos braços do Outras Palavras – neste caso direcionado para a criançada da Educação Infantil. A atividade aconteceu na Escola Municipal de Recife Dona Luci, no bairro da Imbiribeira, no Recife, e teve ainda uma apresentação da Fada Magrinha, personagem da professora de música Lulu Araújo, que acompanhada de uma banda lúdica leva para a garotada o universo da cultura popular pernambucana.

Essa é a quarta edição do Outras Palavrinhas, que já passou por cidades como Bom Conselho, Garanhuns e Araçoiaba. Para a diretora da escola, Sueli Alves, a realização deste encontro é algo a ser celebrado entre os alunos, pais, mães e profissionais ligados à instituição. “É uma alegria pra nós que fazemos parte desta Escola Dona Luci sermos agraciados com um presente como esse da nossa querida Antonieta Trindade, gestora do Outras Palavras, que traz pra dentro do ambiente escolar a nossa cultura popular, com música e teatro”, comemorou a diretora.

Rodrigo Ramos/Secult-PE

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‘Brincadeiras de Bonecos’ é o nome do espetáculo da Trupe Mulungu de Teatro, que desde 1998 segue na arte de construir bonecos e espetáculos com a técnica do mamulengo

Brincadeiras de Bonecos é o nome do espetáculo da Trupe Mulungu de Teatro, que desde 1998 segue na arte de construir bonecos e espetáculos com a técnica do mamulengo. “E tudo é feito com material reciclado. A ideia é fazer com que a criança possa olhar e perceber que tudo que ela tem na mão e no espaço ao redor dela ela possa utilizar pra fazer teatro, encenar, fazer brincadeiras na escola”, explicou Célia Regina, uma das integrantes do grupo.

Rodrigo Ramos/Secult-PE

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Todo o espetáculo ‘Brincadeira de Bonecos’ é montado com material reciclado

Uma das magias que envolve o teatro de mamulengo é a sua linguagem universal. Durante a encenação, todo mundo ria junto com as presepadas dos seis bonecos-personagens, feitos a partir de garrafas pet, meias, tampas de garrafa, copos plásticos e outros objetos recicláveis. “O público, a faixa etária da Educação Infantil, é também algo muito interessante de ser trabalhado. Mesmo muito jovens, eles entendem o contexto bem direitinho e entram no espetáculo num diálogo com a gente. A montagem, apesar de não ter texto, conta com sons e intenções, e a criançada fica enlouquecida com risadas porque é tudo muito engraçado”, disse Célia Regina.

Rodrigo Ramos/Secult-PE

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A garotada se divertiu bastante com a apresentação dos bonecos de mamulengo

Foi também o desejo de estimular as crianças a conhecerem de perto as manifestações culturais de Pernambuco que inspirou o surgimento da Fada Magrinha, interpretada pela artista Lulu Araújo – que já deu aula de música em escolas e iniciou nas artes como percussionista do Maracatu Estrela Brilhante do Recife, para posteriormente acompanhar nomes como Alceu Valença e Naná Vasconcelos.

Rodrigo Ramos/Secult-PE

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Repertório da Fada Magrinha leva ao palco músicas inspiradas em ritmos como maracatu, frevo, ciranda e afoxé

Por uma coincidência do destino, o repertório da Fada Magrinha começou a ser construído dentro do próprio ambiente escolar. “Nas minhas aulas de música eu buscava levar elementos da cultura pernambucana, mas eu não achava coisas voltadas para o público infantil. Então passei a fazer gravações em casa e a ideia é essa mesmo, levar o maracatu, o frevo, a ciranda, afoxé, tudo que de alguma forma representa o que a gente vê nas ruas, pra dentro do ambiente escolar”.

Rodrigo Ramos/Secult-PE

Na opinião de Lulu Araújo, muita gente ainda não tem entendimento do que é a cultura popular do estado. “É muito contraditório dizer isso, mas tem uma parcela da população que não sabe o que é um caboclinho ou um coco de roda. Por isso desde o começo nossa intenção é levar para as crianças o que a gente costuma ver nos ciclos festivos, como Carnaval, São João e Natal, e com músicas de domínio público, pra que a gente possa ter um diálogo com a garotada”, revelou a artista. O repertório teve também músicas do CD Fadas Magrinhas, e adaptações de clássicos como Andança, de Antônio Nóbrega. “A ideia é se divertir com a criançada com o que a gente tem dentro de casa”, brincou Lulu.

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