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Funcultura

Daruê Malungo recebe a dança “PEBA” de Iara Sales

Espetáculo tem incentivo do Funcultura e integra programação da 25ª Semana Afro.

Renata Pires

O Centro de Educação e Cultura Daruê Malungo recebe a bailarina Iara Sales nesta quarta (26) e sexta-feira (28) para duas apresentações de “PEBA”, sempre às 20h. O espetáculo une dança, performance e arquitetura sonora, com a participação do músico-performer Tonlin Cheng e a direção e dramaturgia de Sérgio Andrade (RJ/BA). As apresentações fazem parte de temporada itinerante realizada com o incentivo do Funcultura, do Governo de Pernambuco. O Daruê Malungo fica na Rua Passarela, 18A, Chão de Estrelas, Zona Norte do Recife. “PEBA” integra a  25ª Semana Afro do Daruê Malungo, uma oportunidade para que a comunidade conheça trabalhos de artistas que também tem influência das culturas de matriz africana.  O acesso é gratuito. A classificação do espetáculo é livre, aberta ao público de todas as idades.

A Semana Afro foi iniciada na segunda-feira (24) com o espetáculo “Átman”, de Daniela Santos (que também conta com o incentivo do Funcultura), e segue com programação até sábado (29).  A participação de artistas que contam o incentivo da Secretaria de Cultura e da Fundarpe na programação do Daruê Malungo mostra a importância da difusão de espetáculos e da dinamização dos equipamentos culturais do estado, não só dos espaços mantidos pelo Governo como dos espaços comunitários, como é o caso do Daruê Malungo, uma referência no atendimento de crianças e adolescentes.

“PEBA” é o resultado de uma investigação em dança realizada com o incentivo do Funcultura. A pesquisa investe numa corporalidade peba, que, sorrateiramente, transita entre brincadores, folguedos, ruas e festas dos estados de Pernambuco (PE) e Bahia (BA), estados que fazem parte da história de Iara.  Em cena, o espetáculo traz uma fuleiragem boa traduzida tanto na corporeidade dançada como na cenografia e arquitetura sonora, montadas a partir de amarrações, gambiarras, reaproveitamento de caixas de som e outros objetos rearranjáveis em cada espaço performado.

Lara Per / Labfoto

Tonlin Cheng é responsável pela arquitetura sonora de “PEBA”. (Crédito da foto: Lara Per / Labfoto)

O nome PEBA joga com as siglas dos estados Pernambuco e Bahia, mas é também uma palavra indígena que significa: baixo, nanico, anão, curto das pernas (geralmente usada para animais) – peba, peva, péua, nanipeba e nhapeua. Nas gírias entre Pernambuco e Bahia, “peba” é também um adjetivo usado para indicar precariedade ou baixa qualidade, como um produto de fabricação ruim e barata, mas que resolve ainda que provisoriamente uma demanda emergente.

É importante destacar que Iara Sales é pernambucana, iniciou sua carreira em Pernambuco e fez formação em dança na Universidade Federal da Bahia (UFBA), atuando no Grupo Grial (PE) e na Cia CoMteMpu´s (BA), por exemplo.  As investigações de PEBA constituem-se como uma zona de convergência entre referências da cultura popular e o processo criativo em dança contemporânea. “Nesse ir e vir fui intensificando meu olhar sobre o corpo brincante, suas festas, seus modos de mover-se e organizar-se. Percebi relações entre a capoeira e o frevo, samba de roda e cavalo marinho, o trio elétrico baiano e os blocos de rua pernambucanos, entre outros pontos de convergências e singularidades que formam as identidades locais. Foi nesse ir e vir entre manifestações culturais que passei a mergulhar nos elementos do corpo festivo, me entendendo como uma brincante-errante que joga com gestualidades, territórios, memórias e subjetividades. Foi no trânsito entre danças, cidades e estudos que vivi experiências impulsionadoras dessa pesquisa, na busca por problematizar referenciais sobre as chamadas Danças Populares”, conta Iara.

 CIRCULAÇÃO – A itinerância do espetáculo continua em setembro e outubro. As próximas apresentações são no espaço O Poste soluções luminosas (Rua da Aurora, Boa Vista) nos dias 03, 04, 10 e 11 de setembro; no atelier Arte da Terra (Casa Forte) nos dias 17 e 18 de setembro e na galeria Janete Costa (Parque Dona Lindu, em Boa Viagem) nos dias 10 e 11 de outubro. Já foram realizadas em julho duas apresentações na Galeria Capibaribe do Centro de Artes e Comunicação (CAC) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), encerrando a programação do projeto Solo no CAC, também  com acesso gratuito. Até o final da temporada serão ao todo 12 apresentações, incluindo ainda a realização do seminário “Fuleiragens na fronteira”, que acontece no dia 16 de setembro, das 19h às 21h, também no CAC/UFPE. Como política de discussão sobre a sustentabilidade do ser artista, a partir de setembro haverá três valores de ingressos disponíveis para o público. O ingresso social por R$ 5,00, o ingresso justo por R$ 20,00 e o ingresso abundante, para quem quiser contribuir com valores a partir de R$ 21,00.

TRAJETÓRIA – O espetáculo PEBA foi apresentado em diversos festivais, tais como Vivadança Festival Internacional – 9ª edição (Salvador, 2015); 21º Festival Janeiro de Grandes espetáculos (Recife, 2015) – vencedor do prêmio APACEPE de teatro e dança 2015, na categoria “Melhor Cenografia” e “Prêmio especial – pelo caráter performático da obra”, além de ter sido indicado a Melhor Espetáculo, Melhor Trilha Sonora, Melhor Bailarina e Melhor Iluminação; 11º Mostra Brasileira de Dança – PE (Recife, 2014); Mostra ZinLOV 4 – processos e afetos artísticos zezas (Salvador, 2014); Encontro Trocadilho 2014 (Recife, 2014); 20º Festival Janeiro de Grandes espetáculos (Recife, 2014); Festival Internacional CenaCumplicidade (Recife, 2013).

Serviço
“PEBA”, com Iara Sales e Tonlin Cheng
Quarta (24/08) e sexta-feira (29/08), às 20h
Centro de Educação e Cultura Daruê Malungo - Rua Passarela, 18A, Chão de Estrelas, Zona Norte do Recife.
Acesso gratuito
Telefones: (81) 3444-3455.

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