Pular a navegação e ir direto para o conteúdo

O que você procura?
Newsletter

Funcultura

Iara Sales inicia itinerância do espetáculo “PEBA”

Lara Per/Labfoto_

A performer, bailarina e pesquisadora em dança Iara Sales começa temporada de apresentações itinerantes do espetáculo “PEBA”, com o incentivo do Funcultura, Governo de Pernambuco. Nesta quarta (1) e quinta-feira (2), Iara se apresenta, às 18h, na Galeria Capibaribe, localizada no Centro de Artes e Comunicação (CAC) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), dentro do projeto Solo no CAC. O acesso é gratuito. O campus da UFPE está localizado na Cidade Universitária, no Recife. O espetáculo investe numa corporalidade peba, que, sorrateiramente, transita entre brincadores, folguedos, ruas e festas dos estados de Pernambuco (PE) e Bahia (BA). O espetáculo tem concepção e performance de Iara Sales, trilha e arquitetura sonora e performance de Tonlin Cheng, com direção artística de Sérgio Andrade.

O projeto contempla 12 apresentações e ainda o seminário “Fuleiragens na fronteira”, que deve acontecer em setembro, também na UFPE. Já estão confirmadas duas apresentações nos dias 26 e 28 de agosto, centro cultural Daruê Malungo, durante a 25ª Semana Afro.

O espetáculo PEBA é resultado de um projeto de pesquisa realizado por Iara em 2013, também com o incentivo do Funcultura, Governo de Pernambuco. O nome PEBA é a união das siglas dos estados Pernambuco e Bahia, mas é ainda uma palavra indígena que significa “baixo, nanico, anão, curto das pernas (geralmente usada para animais) – peba, peva, péua, nanipeba e nhapeua”. Nas gírias entre Pernambuco e Bahia, “peba” é também um adjetivo usado para indicar precariedade ou baixa qualidade, como um produto de fabricação ruim e barata, mas que resolve ainda que provisoriamente uma demanda emergente. A partir destes significados, a pesquisadora e performer busca emergir uma fuleiragem boa traduzida, tanto na corporeidade dançada como na cenografia e arquitetura sonora do espetáculo, montadas a partir de amarrações, gambiarras, reaproveitamento de caixas de som e outros objetos rearranjáveis em cada espaço performado.

É importante destacar que a artista é pernambucana, iniciou sua carreira em Pernambuco e fez formação em dança na Universidade Federal da Bahia (UFBA), atuando no Grupo Grial (PE) e na Cia CoMteMpu´s (BA), por exemplo.  As investigações de PEBA constituem-se como uma zona de convergência entre referências da cultura popular e o processo criativo em dança contemporânea. “Nesse ir e vir fui intensificando meu olhar sobre o corpo brincante, suas festas, seus modos de mover-se e organizar-se. Percebi relações entre a capoeira e o frevo, samba de roda e cavalo marinho, o trio elétrico baiano e os blocos de rua pernambucanos, entre outros pontos de convergências e singularidades que formam as identidades locais. Foi nesse ir e vir entre manifestações culturais que passei a mergulhar nos elementos do corpo festivo, me entendendo como uma brincante-errante que joga com gestualidades, territórios, memórias e subjetividades. Foi no trânsito entre danças, cidades e estudos que vivi experiências impulsionadoras dessa pesquisa, na busca por problematizar referenciais sobre as chamadas Danças Populares”, conta Iara Sales.

A criação da performer partiu de uma memória autobiográfica de 1999, quando a explosão de um botijão de gás interrompeu dolorosamente a brincadeira de um Carnaval deixando cicatrizes na pele de Iara Sales. Mas PEBA vai além, fala de trânsito e transitoriedade, de fronteiras. As cicatrizes ‘desenhadas’ na carne formam um ‘corpo-bio-grafia’ que brinca entre festas e carnavais. Assim territórios identitários, mitos, desejos e afetos se carnalizam em memórias e gestos expostos nessa dança. O riso, o choro, a crítica, o assombro, tudo isso está presente no corpo de Iara Sales. Buscando investigar o que há de artesanal, chulo, grotesco e despretensioso no corpo brincante, que nem se deixa enquadrar em cânones da tradição nem cooptação do mercado da cultura popular, Iara Sales, Tonlin Cheng e Sérgio Andrade encontraram um mundo de imagens, sons, gestos…

TRAJETÓRIA – O espetáculo PEBA foi apresentado em diversos festivais, tais como Vivadança Festival Internacional – 9ª edição (Salvador, 2015); 21º Festival Janeiro de Grandes espetáculos (Recife, 2015) – vencedor do prêmio APACEPE de teatro e dança 2015, na categoria “Melhor Cenografia” e “Prêmio especial – pelo caráter performático da obra”, além de ter sido indicado a Melhor Espetáculo, Melhor Trilha Sonora, Melhor Bailarina e Melhor Iluminação; 11º Mostra Brasileira de Dança – PE (Recife, 2014); Mostra ZinLOV 4 – processos e afetos artísticos zezas (Salvador, 2014); Encontro Trocadilho 2014 (Recife, 2014); 20º Festival Janeiro de Grandes espetáculos (Recife, 2014); Festival Internacional CenaCumplicidade (Recife, 2013).

FICHA TÉCNICA

Concepção e performance: Iara Sales

Trilha, arquitetura sonora e performance: Tonlin Cheng

Citações musicais: Assanhado, de Ramiro Musotto; Lavagem de São Bartolomeu, da Orquestra Popular de Maragogipe.

Dramaturgia: Iara Sales e Sérgio Andrade

Direção Artística: Sérgio Andrade

Assessoria artística e preparação corporal: Gabriela Santana

Gambiarras, instalações e objetos cênicos: Tonlin Cheng

Figurino: Iara Sales e Maria Agrelli

Dramaturgista ao longo do projeto PEBA: Sérgio Andrade

Duração: 40 min aprox.

Classificação: Livre

< voltar para home