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Pernambucana será premiada pela Sociedade Mundial de Educação Musical

Milca de Paula também vai apresentar um artigo no Congresso da organização. O trabalho é desdobramento de um livro incentivado pelo Funcultura.

Divulgação

Uma pernambucana vai representar o Brasil durante o Congresso da Sociedade Mundial de Educação Musical, a ISME 2016, que acontece de 24 a 29 de julho. Milca de Paula, professora e produtora cultural, vai até a Escócia, onde será realizado o evento, para apresentar um artigo científico de sua autoria sobre a análise do ensino da música nas escolas públicas de Pernambuco. O artigo, que apresenta sua dissertação de mestrado, teve como inspiração um livro lançado por ela em 2015, com incentivo do Funcultura, intitulado Orquestra Nordestina – Uma abordagem histórica e sonora dos instrumentos e ritmos da região. Além da apresentação do artigo, a professora será a única brasileira a receber o Prêmio ISME 2016, entregue aos projetos na área da educação musical de grande relevância para a comunidade acadêmica.

Milca de Paula, que sempre foi de escola pública, começou a estudar música aos nove anos,uma relação que mudaria para sempre a sua vida.  “Eu sou de uma época que a gente tinha ensino da música nas escolas e isso era muito saudável, funcionou bastante comigo. Até que isso foi retirado da grade curricular com a chegada da ditadura militar. Só depois de 32 anos, veio a Lei Federal 11.769/2008, sancionada pelo presidente Lula, que determina a obrigatoriedade do ensino da música na grande curricular das escolas”, explica ela.

Depois de terminar o Ensino Médio, ela deu início à sua saga de unir a música à educação. Formou-se em Música e Pedagogia e fez uma especialização em ensino musical para crianças. “Daí eu pensei: por que não pegar todas essas minhas apostilas, áudios, textos, todo esse material que coletei ao longo da vida, e juntar tudo num material didático? Foi assim que surgiu a ideia de criar o livro Orquestra Nordestina, que lancei em novembro do ano passado e que produzi com incentivo do Funcultura com o objetivo de que ele servisse de material didático para o cumprimento da Lei Federal 11.769/2008”.

milca de paula

Com o livro em mãos, Milca se associou à Associação Brasileira do Ensino Musical (ABEM), Associação de Pesquisa em Música no Brasil (AMPOL) e na Sociedade Internacional de Educação Musical (ISME). Tudo isso coincidiu com a conclusão do mestrado na área da educação musical que ela também havia iniciado. “Perguntei ao meu orientador se eu poderia pesquisar sobre a importância do ensino da música nas escolas. É a partir desse mergulho que inicialmente surge o artigo que será defendido no ISME 2016, cujo título real é ‘A política e a gestão d0 ensino da música na escola pública em Pernambuco: Uma análise na construção de um sujeito estético’”, revela.

A pesquisa de campo que Milca de Paula teve que realizar como objeto de estudo do mestrado foi na Escola Estadual Dom Vieira, em Nazaré de Mata. “Naquele ambiente não tinha projeto com música, e eu tive que ir lá durante um tempo para fazer com que a Lei Federal 11.769/2008 valesse pelo menos ali. Comecei a perceber que em Nazaré da Mata tem um histórico de grupos e fanfarras estudantis, e que há cinco anos a banda da escola havia sido desativada”. Foi quando ela teve a ideia de levar até a Zona da Mata de Pernambuco uma experiência bem sucedida de uma banda de escola em funcionamento do Recife, a Banda Marcial Escola Rotary, do Alto do Pascoal, comandada pelo Mestre Zé Renato.

Toda essa experiência foi levada para a tese de mestrado, que foi submetida no final do ano passado para avaliação da ISME. A surpresa da pernambucana é que a Sociedade não só aceitou o seu trabalho como irá premiá-lo durante o congresso na Escócia. “Quando eu soube do prêmio, fiz questão de entregar uma cópia do convite ao meu orientador de mestrado, aos meus professores e à equipe do Funcultura como forma de agradecimento. Foram apenas oito pessoas selecionadas do mundo inteiro, que contam relatos de experiências e vivências com a educação musical. E do Brasil, só eu fui selecionada”, contou emocionada.

Milca ainda não sabe o dia da entrega da premiação, mas na quarta (27), às 16h, fará uma apresentação do seu artigo durante o evento. “Acredito que o meu projeto foi selecionado porque eu coloco o ensino da música como um agente na formação ética e estética do indivíduo. A música desenvolve raciocínio lógico que vai repercutir em outras matérias, independente se o aluno que ou não ser um profissional da música”, comemora.

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