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Ciranda e bate-papo literário marcam ‘Outras Palavras’ em Timbaúba

Foto: Jan Ribeiro

Por Roberto Moraes Filho

A Escola de Referência em Ensino Médio Jornalista Jader de Andrade, em Timbaúba, na Zona da Mata Norte, recebeu na manhã desta terça-feira (11), a programação itinerante do projeto Outras Palavras. A iniciativa, desenvolvida pela Secretaria de Cultura e Fundarpe, reuniu aproximadamente 250 estudantes, oriundos de 14 instituições de ensino público da região, no intuito de estreitar as relações entre educação, cultura e cidadania.

Foto: Jan Ribeiro

Foto: Jan Ribeiro

Apresentação teatral ‘Contra o Pecado’

Abrindo a programação com a Banda Famec, existente em Timbaúba há 42 anos, além de contar com apresentação da peça teatral ‘Contra o Pecado’, formada por estudantes da cidade, a vice-presidente da Fundarpe e idealizadora do projeto Outras Palavras, Antonieta Trindade, deu as boas vindas aos estudantes da Escola Técnica Miguel Arraes de Alencar, Escola Ana Eufrásia, Escola José Mendes, Escola João Alberto Moreira, Escola Mariana Ferreira de Lima, Escola Clóvis Salgado, Escola Professora Elizabeth Lira, EREM de Timbaúba, Escola Prof. Antônio José Barbosa dos Santos, EREM Pedro Tavares, EREM Jornalista Jader de Andrade, Escola Emiliano Borges, Escola Cleusa de Freitas e Escola Benedita de Morais.

Foto: Jan Ribeiro

Foto: Jan Ribeiro

Antonieta Trindade, durante a entrega de kits do projeto para professores das instituições presentes nesta edição do projeto.

“Atingimos hoje a marca de mais de 230 escolas estaduais contempladas pelo projeto em todas as regiões do Estado”, comemorou Antonieta Trindade. “Conhecendo a carência do acesso à cultura nas escolas, temos como desafio garantir à nossa juventude a oportunidade de ampliar o seu conhecimento, nos esforçando para que os estudantes das escolas públicas tenham o que há de melhor na literatura pernambucana e também na cultura popular de Pernambuco, contando com a participação de Patrimônios Vivos, além de mestres, mestras e outros fazedores da nossa cultura”, destacou a idealizadora do projeto, que em seguida fez a doação de kits literários contendo obras vencedoras do Prêmio Pernambuco de Literatura, nas categorias de conto, poesia, romance e narrativa, além do livro de Patrimônios Vivos de Pernambuco, para as bibliotecas de cada instituição de ensino presentes nesta edição, que contou com a presença da representante da Gerência Regional de Educação (GRE) da Mata Norte, Edivânia Araújo.

Foto: Jan Ribeiro

Posteriormente, o projeto iniciou o bate-papo com o escritor Camillo José, vencedor do 4º Prêmio Pernambuco de Literatura, com a obra ‘A Dakimakura Flutuante’, sob mediação do jornalista e cineasta Marcos Enrique Lopes. Nascido em 1993, no Recife, Camillo abordou o processo de criação de seus livros de poemas, como ‘Chave de Espadas’ e ‘Os próximos 30 minutos não tem propaganda graças ao seguinte patrocinador’, entre sentidos, gostos e passatempos que o fizeram estar inserido no universo literário.

Questionado sobre as novas mídias digitais, como e-books e redes sociais, que estão mudando a forma de consumir literatura entre as novas gerações, Camillo opinou: “Eu acho que a realidade virtual em relação à literatura tem um lado muito importante hoje, tanto de circulação, quanto de alcance e de estímulo do autor em poder escrever e ter um retorno mais rápido, como postar poemas no facebook e as pessoas curtirem e comentarem. Isso tem um lado bom e um lado ruim, mas existem oportunidades a partir daquele ambiente virtual, por mais que existam questões como o nível de qualidade do que está sendo feito. O importante em determinado nível, é você ser lido, tendo opções como por exemplo, disponibilizar os livros na íntegra para download. E através de plataformas como o issuu, além de blogs e o próprio facebook, que você faça vídeos-poemas e uma forma infinita de utilidades”, frisou.

Foto: Jan Ribeiro

Foto: Jan Ribeiro

Camillo José

Sobre as primeiras experiências com a literatura, Camillo relatou que “elas começaram bem mais cedo, quando estava na 5ª e 6ª séries, e eram bem ridículas, fazendo parte daquele contexto que é escrever por estar gostando de alguém. Sempre escrevi poesias e sendo levado exageradamente pelo lado sentimental, como se declarar para alguém e não saber dizer aquilo, e você acabar encontrando um jeito ainda mais complicado de dizer”, lembrou o escritor. “Eu acho que existem dois momentos na vida de um escritor ou de alguém que quer seguir carreira com literatura. É quando ele começa e quando ele percebe que chegou no meio e deseja ir até o final. Porque chega um momento em que você vê que não tem mais sentido escrever e botar no final algo do tipo: ‘quer namorar comigo?’. Você não consegue fazer somente isso e vê que não está sendo honesto consigo mesmo, porque está escrevendo literatura, mas aquilo ali ainda é muito menor do que a literatura pode realmente ser”, destacou o escritor.

Em seguida, o bate-papo foi aberto aos estudantes, que puderam interagir com o escritor e explorar os temas mais variados relacionados à criação literária. “Desejo que vocês sejam pessoas abertas a tudo, não somente à arte, mas à sensibilidade humana. As vezes, existem coisas pequenas na vida da gente, que deixamos passar e que elas são muito importantes para o modo como começamos a perceber o mundo. As vezes você passa por alguma coisa e diz: ‘ah, eu não aprendi nada com isso aqui’. Mais aí, passado alguns anos você vê que aquilo era uma coisa importante e que independente da sua experiência, se ela for boa, ruim ou constante, que vocês saibam tirar alguma coisa daquilo. A sensibilidade não tá no bom ou ruim, mas no que se consegue extrair daquilo”, ressaltou Camillo, ao final de sua primeira participação no projeto.

Foto: Jan Ribeiro

Foto: Jan Ribeiro

Lia de Itamaracá

Encerrando a programação, a cirandeira Lia de Itamaracá, Patrimônio Vivo de Pernambuco, falou um pouco do início de sua trajetória e como atualmente vive para manter preservada a tradição iniciada ainda na infância. “Eu comecei a cantar ciranda com 12 anos de idade. Com 19 anos para 20, eu assumi a responsabilidade de me apresentar em público, em teatros, na praia de Itamaracá, no Recife, Rio, São Paulo e pelos exteriores. Fui merendeira de uma escola estadual da Ilha de Itamaracá, trabalhei em um restaurante aonde cozinhava e fazia ciranda todos os sábados e daí, quando gravei o meu primeiro LP em 1977, depois vieram o primeiro e o segundo CD. Hoje estou programando gravar um DVD, meu próximo projeto artístico”, falou animada a rainha da ciranda.

“Tenho o meu espaço cultural na Ilha de Itamaracá, que caiu e eu não tive condições de levantar mais. Recentemente, consegui através de uma emenda do deputado Guilherme Uchôa, para que o mesmo fosse reconstruído. Mas ainda falta a segunda etapa do local, constando banheiros, camarins, cozinha e palco. Tudo isso é trabalho para que eu possa dar continuidade à tradição da ciranda na ilha”, conclui a cirandeira, convidando em seguida os estudantes a dançarem ciranda no pátio da escola, onde interpretou clássicos como ‘Minha Ciranda’, ‘Verde do Mar’ e ‘Chamego de Lia’.

Foto: Jan Ribeiro

“Já participei várias vezes do projeto Outras Palavras e achei ótimo mais uma vez sentir a juventude prestando atenção no que eu estou falando e abrirem a roda de ciranda com bastante animação. Vejo essa interação com os estudantes de uma forma muito bacana, principalmente por eles se unirem e observarem tudo o que é abordado ao longo do projeto. Por isso faço com muito carinho minhas participações nesta iniciativa”, relatou Lia.

Foto: Jan Ribeiro

Para o estudante Paulo Roberto, da EREM Jornalista Jader de Andrade, a experiência em participar do projeto foi enriquecedora e lhe possibilitou um olhar mais amplo sobre literatura e cultura popular. “Achei tudo muito interessante, especialmente a abordagem da literatura na atualidade e sobre como os livros escritos podem ser transformados em digitais. Também gostei da palestra e apresentação de Lia de Itamaracá, porque nunca tinha tido a oportunidade de conferir de perto a arte da cirandeira”, comentou.

Já para Eduarda Martins da Silva, também da EREM Jornalista Jader de Andrade, “a manhã com programação diferenciada na escola foi bastante dinâmica e trouxe uma ideia de como podemos experimentar mais o universo digital com foco na produção de poemas e outros gêneros. Achei muito importante ter participado desta edição do projeto em minha cidade”.

 

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