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Escolas da Mata Norte participam do último Outras Palavras de 2017

Rodrigo Ramos/Secult-PE

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A cirandeira Lia de Itamaracá cantou ao fim da apresentação clássicos como Essa ciranda é minha e Lia de Itamaracá

 Por Marcus Iglesias

O Outras Palavras, política pública que tem possibilitado às escolas públicas de Pernambuco um elo necessário entre a cultura e a educação, fechou com chave de ouro o ano de 2017, nesta última quinta-feira (21), com uma edição realizada na Gerência Regional de Educação de Nazaré da Mata. A ocasião contou com a presença dos poetas Joseilson Ferreira e Chico Pedrosa, e da Patrimônio Vivo de Pernambuco e cirandeira Lia de Itamaracá, e a presença de alunos e professores de dez escolas da região.

A professora Maria Aparecida Ferreira, representando a GRE Mata Norte, falou da honra de ter recebido o projeto mais uma vez na Mata Norte. “Já estamos nessa amizade há um tempo. O Outras Palavras passou por aqui por Timbaúba, Goiana, Condado, Carpina e hoje abrimos nossa casa, em Nazaré da Mata, para receber com muita alegria esta iniciativa que tem verdadeiramente a missão de levar cultura, conhecimento e cidadania para as escolas”, agradeceu a gestora.

Rodrigo Ramos/Secult-PE

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De acordo com Antonieta Trindade, gestora do Outras Palavras, o projeto já atingiu quase 500 escolas da rede pública de Pernambuco

Também professora, atualmente aposentada, a vice-presidente da Fundarpe falou em nome da Secretaria de Cultura e Fundarpe sobre a parceria realizada com a GRE Mata Norte em 2017. “Nós é quem agradecemos por essa parceria, e este apoio é fundamental para que o Outras Palavras concretize seu objetivo de levar para a escola pública o que há de melhor na nossa produção literária e cultural em Pernambuco. Garantir a vocês que fazem parte do ambiente escolar o acesso a este conhecimento”.

“Escolhemos as duas últimas edições do ano para realizar nas GREs que mais nos apoiaram, que foram a Mata Sul e a Mata Norte. A ideia é fechar com chave de ouro e garantir que em 2018 a gente possa continuar circulando pelas regiões do estado, garantindo o conhecimento pra que vocês possam assumir o protagonismo na vida social”, prometeu Antonieta Trindade.

Rodrigo Ramos/Secult-PE

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Alunos de dez escolas da Mata Norte do estado participaram da última edição do Outras Palavras em 2017

Participaram do encontro as escolas Agamenon Magalhães e Erem Dr. Walfrefo Luiz Pessoa de Melo (Tracunhaém); Erem Jaime Coelho e Escola Laurindo Gomes (Buenos Aires); Escola Dom Carlos Coelho, Escola Don Vieira, Escola Dom Ricardo Vivela, Erem Maciel Monteiro, Escola Capitão Plínio e Escola de Aplicação Professor Chaves (Nazaré da Mata).

“Vou começar a conversa com Chico Pedrosa, que tem uma dedicação enorme à poesia matuta, tão nordestina e sertaneja. Ele é da cidade de Guarabira, mas adotou Pernambuco como terra. O que a gente pode falar dessa grandeza do Nordeste, e ter uma poesia uma literatura tão própria?”, provocou o mediador do encontro, o jornalista e cineasta Marcos Henrique Lopes. “O que o Nordeste representa para nós é aquilo que as outras regiões do país jamais representarão: a nossa cultura, nosso entra e sai, nosso dia a dia, nosso conhecimento e nossas tradições. O Nordeste é o reinado dos poetas populares. Aqui nasceram os grandes, nomes como Pinto Monteiro, Lourival Batista. José Alves Sobrinho, Canhotinha, uma infinidade de poetas repentistas”, respondeu Chico Pedrosa.

Rodrigo Ramos/Secult-PE

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Chico Pedrosa, além das conversou, recitou várias poesias suas, como Jesus no Xadrez, uma de suas mais conhecidas

Questionado por um aluno sobre qual poeta mais o inspirado, Chico Pedrosa foi categórico: “O maior poeta é o que mais me inspirou foi Zé da Luz”, disse o mestre, que tem cinco livros publicados (o sexto está sendo preparado), nove CDs, quatro DVDs e por ai afora outras coisas, como trabalhos que viraram espetáculos teatrais na Espanha e Portugal.

Quando o microfone passou para Joseilson Ferreira, o escritor se adiantou em falar primeiramente da honra de estar ao lado de dois ídolos seus. “Eu estava pensando ontem em casa que esse momento aqui seria mais de tietagem minha, porque sou muito fã de Lia e de Chico. Interessante que são duas culturas diferentes que de certa forma acompanharam minha formação. A literatura de cordel, com o poeta, e em relação à Lia, no final das festas, a gente cantava a ciranda de Lia. Isso é um resgate da minha infância”.

Rodrigo Ramos/Secult-PE

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““Eu estava pensando ontem em casa que esse momento aqui seria mais de tietagem minha, porque sou muito fã de Lia e de Chico”, brincou o escritor Joeilson Ferreira

Joseilson Ferreira já participou de outras edições do Outras Palavras por conta do seu livro de poesias Discursos e Anatomias, vencedor da primeira edição do Prêmio Pernambuco de Literatura. Durante a conversa, ele revelou que a obra tem mais de 20 anos de idade, e que é resultado de um trabalho de conclusão de curso. “Em 1994 uma aluna da faculdade de Nazaré da Mata fez uma monografia de Pós-graduação em Literatura falando sobre esse livro, que já estava em nascimento. Acho que naquela época eu tinha 20% dele pronto, mas já naquele ano ele conquistou uma menção honrosa do Prêmio Ladjane Bandeira de Literatura, um importante prêmio que existia no estado. De lá pra cá fui refazendo o livro, moldando, até que cheguei com ele mais maduro no Prêmio Pernambuco de Literatura”.

“Esse livro eu fiz no estilo de João Cabral de Melo Neto e fiz em homenagem a Passira. Na leitura do livro vocês vão identificar muito o estilo cabralino, que foi onde se debruçou essa pesquisa realizada em 1994”, detalhou.

Rodrigo Ramos/Secult-PE

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Lia de Itamaracá, Patrimônio Vivo do estado, falou da sua trajetória com a música e com a cultura popular pernambucana

A cirandeira de 73 anos, Patrimônio Vivo de Pernambuco, Lia de Itamaracá contou como começou seu envolvimento com a cultura popular e arte, aos 12 anos. “Na minha família ninguém cantam ninguém dança, não sabem nem pra onde vai. Só quem nasceu com esse dom de cantar fui eu. Eu não sou só uma cantora, sou também uma merendeira. Fui merendeira de uma escola estadual que fica na Ilha, já estou aposentada, graças a Deus, mas a lembrança das crianças não sai da minha cabeça. Eu fazia aquela merenda com amor, dignidade, e hoje eu encontro com os meninos e meninas tudo mais velhos, casados, com filhos. Até hoje passam por mim na praia e falam comigo com o maior carinho”, contou a mestra.

“Viajo bastante levando nossa cultura pra todo o país, não quero ficar aqui só em Pernambuco, quero levar nossa cultura para o mundo. Eu sou Lia, e pra mim é muito importante apresentar minha música por ai. Já são três CDs, participação em filmes, como Recife Frio, e novelas de TV, como Riacho Doce. Afinal, eu sou Lia, né? Ai mamãe!”, brincou a cirandeira, com aquele seu sorrisão no rosto, para em seguida se apresentar com seu grupo e fazer o que sabe fazer de melhor: cantar ciranda e colocar as pessoas pra dançar.

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