Pular a navegação e ir direto para o conteúdo

O que você procura?
Newsletter

Fundarpe

Outras Palavras celebra em Salgueiro os 70 anos de Raimundo Carrero

Escritor pernambucano participou da edição realizada na última quinta-feira (15) na EREM Professor Urbano Gomes de Sá, localizada na sua cidade natal

Rodrigo Ramos/Secult-PE

Rodrigo Ramos/Secult-PE

Recebido com muitos aplausos, Raimundo Carrero conversou, brincou e se divertiu dentro do ambiente escolar ao falar sobre o que mais gosta de fazer: escrever

Por Marcus Iglesias

Quando a equipe do Outras Palavras confirmou que a segunda edição de 2018 seria realizada numa escola em Salgueiro, no Sertão Central do estado, não houve dúvidas sobre quem seria o escritor a ser convidado. Filho da terra, escritor e jornalista, Raimundo Carrero é um dos autores pernambucanos de maior destaque pelo Brasil e mundo afora graças à autoria de diversas obras, muitas delas premiadas. A atividade teria também o propósito de seguir em frente com as celebrações dos recém comemorados 70 anos de vida deste mestre da nossa literatura.

O encontro foi realizado na última quinta-feira (15), com a presença de mais de cinquenta alunos, na EREM Professor Urbano Gomes de Sá, que abriu as portas para convidados como estudantes da EREM Carlos Pena Filho e representantes da GRE Sertão Central. Outra atração prevista para o dia foi o grupo de forró pé-de-serra As Severinas, natural de São José do Egito.

Rodrigo Ramos/Secult-PE

Rodrigo Ramos/Secult-PE

“O projeto Outras Palavras, por exemplo, aprofunda o ele entre a educação e a cultura”, escreveu Raimundo Carrero em artigo publicado nesta segunda (19)

Recebido com muitos aplausos, Raimundo Carrero deu logo as cartas no início de sua fala, queria ter ali um debate tranquilo e dinâmico. “Falem também porque eu detesto ficar falando só. Vocês têm todo direito de não gostar do que eu digo e falar. A democracia se realiza nesse plano. Eu sou aqui um escritor conversando com vocês. Se não concordam comigo, tudo bem, mas tenham pelo menos um argumento, que a gente então vai debater. O melhor dessa conversa é que haja um intercâmbio entre nosso papo”.

Rodrigo Ramos/Secult-PE

Rodrigo Ramos/Secult-PE

Contador nato de contos e causos engraçados, fez em Salgueiro todo mundo cair na risada com explicações sobre alguns vícios de linguagem que o povo brasileiro adota

Contador nato de contos e causos engraçados, fez todo mundo cair na risada com explicações sobre alguns vícios de linguagem que o povo brasileiro adota. “Por exemplo, nunca digam ‘eu me acordo’. A gente simplesmente acorda. Já imaginaram a gente se remexendo, pra se acordar? Isso não existe! Outra coisa que é dizer que ‘os presentes aplaudiram’. Basta dizer que aplaudiram, até porque não tem como os ausentes fazerem isso. E por último, um dos piores pra mim, é quando dizem que ‘a chuva caiu ontem’, ou algo do tipo. A chuva naturalmente cai, se ela subir, teremos então outro fenômeno”, brincou, sob as gargalhadas dos jovens, que cantaram parabéns para o autor no final da conversa

Rodrigo Ramos/Secult-PE

Rodrigo Ramos/Secult-PE

“A questão agora é fazer com os livros cheguem com mais frequência às mãos desses e dessas jovens entusiasmadas, com maior intercâmbio entre outras artes, entre elas a música e o teatro”, opina Carrero

Em artigo publicado nesta segunda-feira (19) inicialmente no Diario de Pernambuco, e na íntegra no Cultura.PE, Raimundo Carrero contou como foi sua experiência de levar a literatura como um exercício saudável e prazeroso aos jovens que ali estavam na sua frente. “Os estudantes demonstraram muito entusiasmo sob orientação das professoras e me provocaram o tempo todo com perguntas e afirmações que tornaram o debate ainda mais quente. Momento profundamente estimulante se realizou quando fui questionada por duas jovens estudantes mudas, perfeitamente integradas à escola e à sociedade, com dedicação especial das professoras sob a orientação de Antenor, o gestor da escola”.

Rodrigo Ramos/Secult-PE

Rodrigo Ramos/Secult-PE

“Momento profundamente estimulante se realizou quando fui questionada por duas jovens estudantes mudas, perfeitamente integradas à escola e à sociedade, com dedicação especial das professoras sob a orientação de Antenor, o gestor da escola”, refletiu o autor em seu artigo

Uma das alunas citadas por Raimundo, chamada Lucineide, disse que era um prazer recebe-lo na escola e perguntou como ele fazia, quando criança e naquela época, para escrever. “As coisas naquele tempo eram diferentes e mais complicadas. Como você conseguiu produzir tanta coisa daquele jeito?”, quis saber a estudante. “Primeiro fico muito envaidecido diante da sua pergunta. A gente nunca deve esperar a oportunidade. A gente deve fazer a oportunidade, construindo, elaborando. Hoje, não se conformem em terminar apenas a escola. Tentem de tudo, até o doutorado se for possível”, respondeu o autor.

Rodrigo Ramos/Secult-PE

Rodrigo Ramos/Secult-PE

Os estudantes buscaram saber de Raimundo Carrero quais eram suas inspirações e os próximos projetos em que está envolvido, entre outras questões

No seu artigo, publicado nesta segunda-feira (19), ele opina com empolgação. “Pareceu-me um educandário-modelo, a partir do Governo estadual, com orientação do governador Paulo Câmara e dos secretários de Educação e de Cultura”. E mais tarde complementa. “O projeto Outras Palavras, por exemplo, aprofunda o ele entre a educação e a cultura (…). A questão agora é fazer com os livros cheguem com mais frequência às mãos desses e dessas jovens entusiasmadas, com maior intercâmbio entre outras artes, entre elas a música e o teatro”

E prosseguiu. “Se não bastasse, a revelação da banda As Severinas justifica o movimento cultural criado pelo Estado para enriquecimento das nossas raízes. É revolucionária a presença desta banda em sala de aula”.

Rodrigo Ramos/Secult-PE

Rodrigo Ramos/Secult-PE

“Se não bastasse, a revelação da banda As Severinas justifica o movimento cultural criado pelo Estado para enriquecimento das nossas raízes. É revolucionária a presença desta banda em sala de aula”, escreveu Carrero

Durante a apresentação do grupo, e poetiza e cantora Belinha aproveitou para falar de um assunto muito pertinente naquele dia. “Quero tocar num assunto que o Brasil inteiro está falando na data de hoje e pedir um minuto de silêncio em nome da ativista política e vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco. Mais uma mulher, negra, assassinada por Deus sabe quem, e isso reflete a opressão que nós mulheres sofremos na sociedade. Neste momento, levamos todas juntas aqueles tiros, e devemos estar atentas e fortes pois a democracia vive um período muito frágil”, disse ela.

< voltar para home