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Outras Palavras levou música e literatura à escola de Garanhuns

O escritor Joseilson Ferreira e o trio As Severinas participaram do projeto durante o FIG 2017

Clara Albuquerque

O Projeto Outras Palavras desenvolveu ações especiais durante o 27º Festival de Inverno de Garanhuns (FIG). Na tarde do dia 28/7, foi a vez da Escola de Aplicação Professora Ivonita Alves Guerra receber o escritor Joseilson Ferreira, vencedor do 1º Prêmio Pernambuco de Literatura. O momento, ainda, foi marcado por uma animada apresentação do trio As Severinas.

Rodrio Ramos/CulturaPE

Rodrio Ramos/CulturaPE

O escritor Joseilson Ferreira

Joseilson Ferreira contou como foi a construção criativa de seu último trabalho e, também, leu algumas de suas poesias. Durante a conversa, estudantes e professores da escola se aproximavam para falar de suas impressões e esclarecer dúvidas. O escritor fala sobre sua versatilidade em escrever do infantil à poesia sensual. “Eu considero livros como filhos, cada um com uma personalidade diferente. Então, tenho livros eróticos e infantis. A gente tem que trabalhar com cuidado para atingir o leitor”, conta ele, que também falou de sua relação com o avanço da tecnologia dentro de seu processo de produção e o mercado literário. “Quando iniciei, não tinha internet. Hoje, a facilidade é maior tanto para armazenar a produção quanto para encontrar o nicho do mercado literário. Há mais concursos literários hoje do que antes. Ficar isolado não é negócio. É interessante que continue havendo prêmios como o Pernambuco Literatura”, diz ele. Joseilson está trabalhando em um livro de contos, atualmente, e conta que, pela primeira vez está escrevendo no computador. “Todos os meus livros foram escritos a mão. Era um processo onde eu gastava muito papel, depois datilografava. Hoje em dia, é muito mais fácil com o computador. Consegui me adaptar com esse livro mais recente e está dando certo”, conta ele.

Rodrigo Ramos
O escritor Joseilson Ramos conversa com estudantes

O escritor, ainda, deu dicas aos jovens que pensam em começar a escrever. “Tem que ter uma bagagem de leitura apurada e crítica. Algumas pessoas têm o seu modo particular de criação. Eu, por exemplo, preciso de silêncio. Outro recurso que utilizo é tomar nota das situações que presencio, achei necessário para este trabalho com contos e romances. Tudo o que aparece eu anoto. O segredo é nunca desistir e fazer por amor e não por dinheiro. Quando você consegue viver de Literatura é muito bom, quando não é como um hobby que você tem que levar com profissionalismo. Estudar e ler muito. Para ter domínio do que se escreve tem que se entender, se preparar”, explica ele. Para o trabalho de estímulo que pode ser realizado em sala de aula, Joseilson também expôs seu pensamento a respeito. “Precisamos trabalhar a realidade do aluno porque ele não vai zerado para a escola. É interessante, também, que as escolas realizem concursos internos. Fora isso, a internet tem muito material em vídeo e entrevistas com outros autores que estimulam. Minha inspiração, por exemplo, é João Cabral de Melo Neto.

Quando questionado sobre que rumo tomar diante de um momento marcado por falta de investimentos federais na cultura, Joseilson responde que “o caminho é não acreditarmos que estamos em um abismo cultural. Nunca houve tantos concursos como os de hoje em dia. Não vivemos em uma crise cultural, precisamos resgatar a imagem cultural que temos e que, muitas vezes, a mídia mascara. Muitos projetos que fomentam a cultura literária estão em andamento como o Outras Palavras e feiras literárias”. Sobre o alto consumo de literatura internacional, no Brasil, o escritor opina que “concorrer com a literatura internacional é complicado porque o investimento que eles têm em divulgação é muito alto, cabe a nós tomarmos a decisão quando estivermos em uma livraria”.

A diretora da escola, Josivânia Bezerra, fez os seus agradecimentos. “É com muita alegria que recebemos esse momentos. Gostaria de agradecer a todos que vieram e à Fundarpe por levar a cultura para o interior do estado”, diz ela que entregou, em seguida, uma lembrança representativa ao escritor, ao trio musical e à vice presidente da Fundarpe, Antonieta Trindade. “Para nós da Secretaria de Cultura de Pernambuco e da Fundarpe é um prazer imenso estar aqui e sermos acolhidos por vocês com esse projeto que tem o objetivo principal de integrar a Cultura e a Educação desde 2015. Já passamos por muitas cidades no interior do estado como Petrolina, Água Preta e Canhotinho. Estamos felizes porque as edições do projeto têm ajudado a fortalecer a cultura literária local com o público jovem e, neste processo, contamos com escritores pernambucanos e expoentes da cultura popular do estado como é o caso do trio As Severinas que trazemos, com todo o prazer, pela segunda vez, ao projeto. Em qualquer momento, é só nos convidar que teremos o prazer de voltar”, diz ela. Em seguida, a vice-presidente entrega, nas mãos da diretora da escola, um kit com livros do acervo da Fundarpe.

Rodrigo Ramos

Rodrigo Ramos

Antonieta Trindade representa a Fundarpe durante o evento

Ao final da conversa com o escritor, o trio As Severinas encantou a todos com uma apresentação de poesia popular regada a muito forró pé-de-serra. Com seis anos de estrada, as jovens artistas possuem uma maneira peculiar de fazer shows. “Eu acho maravilhoso esse trabalho que está sendo desenvolvido pelo projeto Outras Palavras, especialmente porque o nosso trabalho começa na parte literária. Eu e Monique escrevemos e declamamos, a música é uma desculpa pra levar a poesia para as pessoas”, diz Isabele Moreira, uma das integrantes do trio. Durante a apresentação, as meninas do Pajeú pernambucano intercalavam poesias autorais e de poetas populares do estado com clássicos do forró e algumas releituras executadas no ritmo, a exemplo da música Esquadros, da Adriana Calcanhoto. Também contaram um pouco de sua intimidade com a poesia popular que veio como herança dos pais, além de sua trajetória artística e a proposta de inserir, no mercado, mais mulheres tocando instrumentos regionais. “O nome do grupo é uma homenagem a uma série de figuras como Severina Branca, Severino Bil, Bil de Crisanto e a Vida Severina de João Cabral de Melo Neto. Nossa proposta envolve não só fazer o forró redondo da rádio, nós queríamos uma coisinha a mais. Foi aí que resolvemos brincar com os xotes dos outros. A gente toca o que a gente gosta e coincide do povo gostar, se fosse diferente não seria verdadeiro”, diz Isabele. A última música que o trio executou colocou o público para dançar um arrasta-pé. Elas foram bastante aplaudidas. 

Rodrigo Ramos

Rodrigo Ramos

As Severinas colocam todos pra dançar

O Projeto Outras Palavras visitou mais de 300 escolas, teve mais de 600 participantes e mais de 4 mil livros do acervo da Fundarpe doados para os acervos das escolas visitadas.

 

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