Pular a navegação e ir direto para o conteúdo

O que você procura?
Newsletter

MÚSICA

Zeca Viana: “Ana Ghandra evidencia um hipnotismo musical na sua voz”

Divulgação

Após uma pequena pausa, a seção Eu Indico está de volta e tem como convidado nesta última semana de fevereiro o músico e compositor Zeca Viana. Ex-integrante de bandas como Asteroide B-612, Volver e senhor de uma carreira solo que começou a se desenhar em São Paulo, depois regressando para as bandas de cá, ele se prepara para lançar o seu terceiro disco, Estância.

Ao Cultura.PE e aos internautas ele indica o EP Slowly, de Ana Ghandra. Ela é cantora, instrumentista e compositora e lançou este trabalho no ano passado. O disco foi gravado no estúdios da Faculdade Aesos Barros Melo e contou com a produção do músico Paes. Além de mixagem no estúdios Carranca (com Rogério Samico) e masterização no Base (com Arthur Soares).

Camila Van Der Linden

Ana Ghandra tem um timbre de voz marcante. Ao vivo, ela flui numa presença de palco que urge uma aura benjaminiana, um aqui e agora que se revela de forma intensa, suspensa. Mesmo em uma apresentação crua (voz e violão) ela envolve; evidencia um hipnotismo musical na sua voz, flutuando entre o doce e o pesado, um silêncio entre Mariska Veres, Nico e Grace Slick. Descobri o som da Ana Ghandra através do Recife Lo-fi, quando recebi uma faixa por e-mail e realmente achei incrível. Era um som gravado em casa, bem lo-fi mesmo, mas já tinha todos os elementos da música dela lá. Também já tocamos juntos uma vez no antigo Bar B, no bairro da República, em São Paulo.

Ana lançou um ótimo EP recentemente chamado “Slowly”. Esse trabalho tem um tom meio sombrio e oriental como a faixa “Mirror”, além da etérea “Radiosoul”, a minha preferida. Mesmo com cinco faixas, ela consegue abranger algo de “roqueiro”, um tom anos 1990 e também esse lado místico, esotérico. Talvez, para um ouvinte desavisado (ou até bairrista), a questão de “cantar em inglês” pode ser uma barreira aqui no Recife. Toquei em bandas de “rock alternativo” nos anos 90 e a música em inglês parecia não ser bem vinda. A gente sabe da agenda dos “atuais” anos 1970 brasileiros, do samba e dos ritmos regionais no nosso estado, e acho que é um horizonte inquestionável de fruição estética. Mas acho também que hoje estamos muito além das “geografias físicas” e o som de Ana Ghandra tem bastante da coisa cosmopolita; oriente, ocidente, folk rock e esoterismo. Esse EP é um grande trabalho tanto técnico quanto estético. Que a gente dê um “viva!” para essa visão agregadora e transcendente da produção musical na nossa cidade como o próprio Chico, que era Science”.

Confira o EP Slowly, de Ana Ghandra

< voltar para home