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Performances cênicas se despediram do FIG em grande estilo

Últimas performances de teatro e dança foram bastante elogiadas pelo público

Peça “O Amor de Clotilde por um certo Leandro Dantas” foi aplaudida de pé (Foto: Tom Cabral/Secult-PE)

Peça “O Amor de Clotilde por um certo Leandro Dantas” foi aplaudida de pé (Foto: Tom Cabral/Secult-PE)

Por Cecília Almeida

O último dia (21/7) de performances cênicas no 22° Festival de Inverno de Garanhuns (FIG) encerrou com grande adesão do público. A sessão de despedida, “O Amor de Clotilde por um certo Leandro Dantas”, foi aplaudida de pé por longos minutos e bateu recorde de espectadores no Teatro Luiz Souto Dourado. As sessões de dança e a programação de circo como um todo também foram bastante elogiadas.

Logo às 14h, o espaço de Circo iniciava a primeira de duas apresentações da Mostra de Artistas Circenses. O espetáculo foi composto por artistas de diferentes circos e trupes, que não necessariamente haviam trabalhado juntos anteriormente. A Mostra também contou com a participação de Índia Morena, patrimônio vivo de Pernambuco que tem 59 anos de circo.

O professor Nilton Gomes esteve presente em todas as apresentações do espaço do circo durante o FIG e preferiu as performances de circos mais tradicionais, familiares. “O artista circense de família, que vive da lona, pode não ter passado pela escola, mas tem um conhecimento de vida circense que nem todos têm. Artistas mais escolarizados teoricamente também precisam articular o saber popular”, opinou.

Ao longo do FIG, o Espaço de Circo recebeu ao todo nove espetáculos diferentes, com uma média de público de mil espectadores por sessão. A supervisora do espaço, Carminha Lins, ficou muito contente com o resultado e retorno do público: “Foi muito interessante a receptividade do público. O circo sempre atrai muita gente, acho que somos o maior público do Festival, fora os palcos musicais. A programação foi bastante variada e isso também agradou”, avaliou.

A funcionária pública Lucilene Herculano também esteve no espaço quase todos os dias, acompanhando o filho Cauã, de 8 anos, e elogiou especialmente o primeiro espetáculo apresentado no espaço, “Quatro”, da companhia recifense Brincantes de Circo.

Espetáculo de dança “A Sagracao da Primavera” foi um dos destaques no Parque Euclides Dourado (Foto: Tom Cabral/Secult-PE)

Espetáculo de dança “A Sagracao da Primavera” foi um dos destaques no Parque Euclides Dourado (Foto: Tom Cabral/Secult-PE)

Mais tarde, Lucilene seguiu para acompanhar a programação de dança, no Polo Euclides Dourado. Às 16h30, o espetáculo “A Sagração da Primavera”, releitura do Ballet de Londrina da obra de Stravinsky e Nijinsky. A coreografia detalhista e sofisticada, assinada por Leonardo Ramos encantou o público. O enredo da apresentação narra o sacrifício de uma virgem aos deuses da primavera, em troca da fertilidade da terra, e tem momentos bastante agressivos.

“Foi uma performance bem diferente dos balés que costumamos ver, maravilhosa”, comentou Lucilene. Já o ator Éder Lopes, de Arcoverde, destacou a força da coreografia, assinada por Leonardo Ramos. “Há muito tempo não assistia a um espetáculo que me provocasse uma reação tão forte”, elogiou. A programação do espaço encerrou com a performance de O Fio das Miçangas, do pernambucano Otávio Bastos.

O Teatro para a Infância e Juventude recebeu, durante o FIG, três espetáculos teatrais infantis e 13 apresentações de dança. Em média, cada sessão foi acompanhada por 750 espectadores. O público com deficiência auditiva e visual também compareceu, embora ainda de maneira tímida. Quatro dos espetáculos exibidos no espaço tiveram recursos de audio-descrição e interpretação em libras. Em cada um deles, uma média de cinco pessoas com deficiência esteve presente. “Superamos dificuldades na infraestrutura do lugar e acredito que atendemos quase 100% das demandas”, afirmou o supervisor do teatro, Raimundo Branco.

Como encerramento de uma programação diversificada, o Teatro Luiz Souto Dourado, onde foram exibidas todas as apresentações de teatro adulto do FIG, recebeu a comédia romântica “O Amor de Clotilde por um certo Leandro Dantas”, da trupe pernambucana Ensaia Aqui e Acolá. A peça, que exagera recursos da linguagem do melodrama, do cinema e de telenovelas de maneira irônica e divertida, teve recorde de público no espaço. Ao final da peça, a plateia vibrou e aplaudiu o elenco por vários minutos.

O psicólogo Lucas Sobreira, que assistiu a três dos nove espetáculos apresentados no local, elogiou a qualidade da curadoria do Festival. “Gostei bastante da programação”, disse, apesar de não ter conseguido ingressos para todas as apresentações. Ele destacou “Ana-Me”, apresentada no domingo (15/7), como a peça que mais causou impacto. “Me deu vontade de ler Clarice Lipsector de novo”, disse. Entre as comédias que pôde assistir, sua preferida foi “Clotilde”.

Durante o FIG, o teatro recebeu uma média de 580 espectadores por sessão, sendo que “Clotilde” atraiu 649. Duas das sessões contaram com recursos de acessibilidade e tiveram, em média, a presença de 8 espectadores com deficiência visual ou auditiva. “Foi maravilhoso, a programação foi super eclética. Tivemos um crescimento de 30% de público em relação ao ano passado e pouca gente ficou de fora”, destacou o supervisor do espaço, Carlos Lira.

De acordo com ele, a peça que foi mais aclamada pelo público foi “Mário Quintana: o poeta das coisas simples”, apresentada na quinta-feira (19/7). De estilo bem diferente, “Clotilde” foi a segunda mais aplaudida e arrancou gargalhadas do público, que saiu animado.

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