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PATRIMÔNIO CULTURAL

Patrimônio Vivo do Estado, Lia de Itamaracá recebe título de Doutora Honoris Causa da UFPE

A cerimônia de titulação aconteceu nesta última terça-feira (27), no Centro de Convenções, em Olinda

Jan Ribeiro/Secult-PE/Fundarpe

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Lia de Itamaracá ganhou o título graças à sua contribuição no fortalecimento da cultura popular nordestina

A cirandeira Lia de Itamaracá recebeu, na manhã desta última terça-feira (27), no palco do Teatro Guararapes, no Centro de Convenções (Olinda), uma das maiores honrarias de toda sua trajetória artística. Ela, que frequentou a escola somente até o primeiro ano do ensino fundamental, recebeu da Universidade Federal de Pernambuco o título de Doutora Honris Causa. A decisão pela honraria, anunciada desde o dia 9 de agosto, levou em consideração a importância da obra artística de Lia para a formação de uma identidade cultural do Nordeste. Entre outros títulos que atestam a nobreza de sua arte, Lia de Itamaracá acumula os títulos de Patrimônio Vivo de Pernambuco – desde 2005 – e Comendadora da Ordem do Mérito Cultural do Brasil, pelo Ministério da Cultura.

De acordo com o Estatuto da UFPE, o título de doutor honoris causa somente é concedido a personalidades eminentes que tenham contribuído para o progresso da universidade, da região ou do país, ou a pessoas que tenham se destacado pela sua atuação em favor das ciências, das letras, das artes ou da cultura em geral. “Sua arte ensina aos povos o ato de dar as mãos e de coexistir, compartilhando uma mesma música e uma mesma dança. Em seus 75 anos de existência, nos ensina que ‘esta ciranda quem me deu foi Lia que mora na Ilha de Itamaracá’ nos inspira a pensar a educação de forma diferente, em um mundo desigual que insiste em ignorar a diversidade”, enfatiza a proposta.

A tribuna de honra da cerimônia foi formada pelo Reitor da UFPE Anísio Brasileiro, que presidiu a sessão; Florisbela Campos, vice-reitora da UFPE; Paulo Góis, pró-reitor para assuntos acadêmicos; José Mário Austregésilo, diretor geral do Núcleo de Rádio de TV da UFPE; Marcelo Canuto, presidente da Fundarpe; Williams Santanna, gerente-geral de gestão da Secretaria de Cultura do Recife; Bruno Reis, secretário de Turismo e Cultura de Itamaracá; Gilberto Freyre Neto, secretário de Cultura de Pernambuco, que no ato representou o governador Paulo Câmara; e o professor Francisco Barros, que fez o discurso em homenagem a Lia de Itamaracá.

Jan Ribeiro/Secult-PE/Fundarpe

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O secretário estadual de Cultura, Gilberto Freyre Neto, representou o governador Paulo Câmara na solenidade

A proposta de conceder a Lia o título de doutora foi articulada e apoiada pelos mais variados centros acadêmicos da UFPE, tais como o Centro de Biociências, Centro de Ciências da Saúde, Centro de Ciências Jurídicas, Pró-Reitoria de Extensão e Cultura, Centro de Informática, Centro de Ciências Médicas e Centro de Artes e Comunicação. Professores de todos esses centros estiveram presentes à cerimônia e foram eles que, após o discursos de abertura proferido pelo reitor Anísio Brasileiro, se retiraram todos do palco e foram buscar Lia de Itamaracá, que aguardava nas coxias.

Lia entrou no palco de mãos dadas com a professora Maria Eduarda Larrazabal, diretora do Centro de Biociências da UFPE. A plateia, formada por amigos da artistas que viram da Ilha para prestigiá-la, artistas, gestores públicos, jornalistas e estudantes de escolas públicas do estado, companhou a entrada da artista no palco com palmas, entoando o refrão da clássica ciranda que apresentou Lia ao mundo: “essa ciranda quem me deu foi Lia, que mora na Ilha de Itamaracá”.

Jan Ribeiro/Secult-PE/Fundarpe

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A professora Maria Eduarda Larrazabal acompanhou Lia de Itamaracá na abertura da cerimônia

O discurso do professor Francisco Barros ressaltou a trajetória de Lia e a sua própria relação com a ciranda, que lhe foi apresentada pela mãe, quando ainda era um garoto. “Quantas lembranças afetivas podemos ter a partir dessa música… São pessoas como Lia que formam nossa identidade. Por isso não causou surpresa toda sinergia de todos os centros acadêmicos para trazermos essa homenagem. Por onde o processo passou recebeu um tratamento ágil e carinhoso”, destacou o professou. Ele também salientou, em seu discurso, que na história da cultura popular do estado muitos são os títulos de “mestre” dados a detentores do saber, mas que eles são em sua maioria, homens. E Lia, portanto, estava recebendo com todo merecimento o título de Doutora Honoris Causa.

Ainda dentro do protocolo, o reitor Anísio leu o termo de concessão do título e perguntou a Lia se esta aceitava o título, ao que Lia não hesitou. O plateia ouviu um sonoro “aceito”, da cirandeira, a quem foi dada a vez de falar. Lia foi breve nas palavras, mas emocionou a todos com sua simplicidade. “É com muito amor e carinho que eu recebo esse título como reconhecimento do meu trabalho, na cultura, na música, em tudo que eu posso ter feito nessa vida. Eu sou Lia. Quero agradecer a todos e dizer que eu me sinto muito honrada e feliz. Não é todo dia que se recebe um prêmio desse. Mas Deus disse, espere, e eu esperei e hoje estou aqui. Muito obrigada”, declarou a cirandeira. Lia então recebeu e vestiu as vestes doutorais, assinou e recebeu seu diploma.

O reitor encerrou a cerimônia agradecendo o “aceite” de Lia, ressaltando a importância da homenagem dentro do contexto do atual momento histórico e político do país. “É um ato muito importante para nossa universidade, num momento em que precisamos afirmar a importância da cultura e ter esse olhar para as diversidades do nosso país”, destacou.

Jan Ribeiro/Secult-PE/Fundarpe

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No final da cerimônia, Lia comandou uma roda de ciranda com alunos da rede estadual de ensino

A cerimônia acabou com uma roda de ciranda, no hall de entrada do teatro, com Lia cantando suas principais cirandas e todos de mãos dadas, sob o embalo das canções ancestrais da cirandeira mais famosa e respeitada do país.

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