Cepe Editora lança nova edição de “Morcego Cego”, de Gilvan Lemos
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Na próxima sexta-feira (9), a partir das 19h, a Cepe Editora lançará em seu canal no YouTube, Morcego Cego, um dos últimos livros do escritor Gilvan Lemos, que ganha nova edição 33 anos depois de sua publicação. Considerado um mestre da moderna ficção brasileira, comparado a Dostoiévski por Hermilo Borba Filho e visto como “renovador da Literatura Brasileira” pelo poeta, ensaísta e crítico Mário da Silva Brito, Gilvan Lemos é nome referencial da literatura pernambucana, com vasta obra (entre romances, contos e novelas) publicada e premiada. Faleceu no dia 1º de agosto de 2015, aos 87 anos.
A live de lançamento contará com a participação de Lívia Valença, sobrinha de Gilvan Lemos e responsável pelo Espaço Cultural Escritor Gilvan Lemos, em São Bento do Una; do pesquisador e escritor Pedro Américo de Farias, que manteve com Gilvan uma longa amizade; e, na mediação, o jornalista Thiago Corrêa, autor da biografia Gilvan Lemos: o último capítulo, publicada pela Cepe Editora em 2017.
Originalmente lançado em 1998, Morcego Cego é considerado um dos mais densos romances publicados por Gilvan Lemos, um escritor de reconhecida força narrativa, refinamento linguístico, esmero na construção psicológica dos personagens e crítico da desigualdade social. A trama da obra gira em torno de Juliano, que de menino criado em situação de miséria, torna-se um homem ambicioso, marcado pelo ódio e desprezo, atormentado por seu passado e seus dramas interiores.
Em Morcego Cego, rompendo com a estética linear, o autor mescla simultaneamente os tempos da narrativa, identificados pelas primeiras letras do alfabeto a cada abertura de capítulo. Os iniciados pela letra A resgatam a infância pobre e os segredos sobre a origem de Juliano. Os de letra B, conduzem à sua vida na criminalidade e as relações que o personagem constrói sempre pautadas pelo interesse; nos capítulos em C, o protagonista divaga sobre sucessos e declínio. Memórias costuradas ao longo do livro em diálogos entre Juliano e o narrador, apenas revelado no final. “Gilvan incorporou o azar no seu discurso de escritor, reclamando que sua obra nunca havia tido o reconhecimento devido, ainda que ele tenha conseguido produzir e publicar dezenas de livros, alguns dos quais pelas principais editoras do país, conquistado prêmios, recebido atenção da imprensa e da crítica. Nesse sentido, Morcego Cego talvez tenha sido o último lampejo desse desejo de consagração por parte de Gilvan, sendo publicado pela Record e lançado no Recife com pompa, num evento no Teatro Apolo. Em termos literários, o livro apresenta um certo amadurecimento na prosa de Gilvan, que se vale de recursos técnicos para contar a história de Juliano”, destaca Thiago Corrêa.
Reedições - Por iniciativa da Cepe Editora, a obra literária de Gilvan Lemos, boa parte já fora do catálogo, vem sendo reeditada, o que permite aos leitores acesso ao seu universo ficcional. Morcego Cego, agora relançado, junta-se a outros títulos de semelhante importância, como Olhos da treva, que ganhou nova edição em 2012; Emissários do Diabo (2013); O anjo do quarto dia (2013), Jutaí menino (2016), Noturno sem música (2016) e Espaço terrestre (2018). “A iniciativa da Cepe em republicar a obra de Gilvan, bem como de outros autores de gerações passadas como Hermilo e Gastão de Holanda, é essencial para a gente conhecer esses escritores, a importância das suas obras, as visões de mundo de outras épocas. A literatura é uma forma de registro histórico, das ideias, discursos e preocupações que circulavam na intelectualidade da época. E da própria forma de fazer literatura, do processo de maturação desses autores”, reforça Thiago Corrêa
A escritora e advogada Lívia Valença, que desde 2012 vem consolidando em São Bento do Una o Espaço Cultural Escritor Gilvan Lemos, acredita que os relançamentos salvaguardarão o legado deixado pelo tio. “Gilvan Lemos é considerado pela crítica nacional, um dos maiores ficcionistas do Brasil. Sua preocupação sempre foi escrever algo que pudesse emocionar as pessoas e, por isso, ele será sempre lembrado. Seus livros são emocionantes, neles vemos a presença constante da crítica social, mas uma crítica sutil que faz a gente pensar. Ele lutou contra todo tipo de adversidades para realizar o sonho de ser escritor, e conseguiu. É um exemplo a ser seguido”, pondera.
Sobre o autor - Gilvan de Souza Lemos nasceu em São Bento do Una, município do Agreste Central pernambucano, no dia 1º de julho de 1928. Estudou até o terceiro ano primário e seu interesse pela leitura se deu através dos gibis, muitos deles criados por ele. Apesar das dificuldades, os livros sempre estiveram presentes em sua casa por causa da mãe, Thereza, e da irmã mais velha, Maria de Lurdes (Lude), leitoras assíduas. Por influência da irmã, aos 15 anos, leu o seu primeiro livro, O Conde de Monte Cristo, de Alexandre Dumas, encantando-se pelas narrativas ficcionais. Aos 21 anos foi morar no Recife e dois anos depois, escreveu seu primeiro romance, Noturno sem música, selecionado por um concurso literário, ficando em segundo lugar com a obra O visitante, de Osman Lins. Em 1968, Gilvan Lemos ganha destaque nacional com o livro Emissários do diabo, publicado pela Editora Civilização Brasileira. Publicou mais de 30 livros, entre romances, novelas e contos e participou de diversas antologias traduzidas para o inglês, alemão e francês. Em 2011, foi eleito por aclamação para a Academia Pernambucana de Letras, onde ocupou a cadeira de número 26.
Serviço:
Lançamento de Morcego Cego, de Gilvan Lemos
Data: Sexta-feira (9) | 19h
Onde: Canal da Cepe Editora no YouTube
Preço do livro: R$ 30,00 (impresso) e R$ 12,00 (E-book)
