Dia do Livro Infantil celebrado com autores e ilustradores pernambucanos
Livros e personagens que marcaram a infância são dificilmente esquecidos. Data deste domingo (2) lembra da importância de estimular a leitura desde os primeiros anos de vida.
Postado em: Literatura
Fran Silva/ Secult PE - Fundarpe

O estímulo à leitura na infância presente na Praça da Palavra, no FIG
Quem nunca se imaginou sendo amigo d’ O Menino Maluquinho, fazendo parte da Turma da Mônica, passando uma temporada no planeta B612, com O Pequeno Príncipe, ou ainda correndo pelo sítio do Picapau Amarelo com Narizinho e Emília? Existem personagens que marcam os leitores para sempre e quase sempre há nessa lista afetiva livros lidos na infância. Neste domingo (2) é celebrado no mundo todo o Dia do Livro Infantil, uma data que reafirma a importância de estimular a leitura desde a mais tenra idade.
A ganhadora do Prêmio Nobel de Literatura, Louise Glück, escreveu em seu poema “Nostos” que “a gente olha o mundo uma só vez, durante a infância. O resto é lembrança.” Talvez por isso é tão raro esquecer os autores, ilustradores e as histórias que marcam os primeiros anos de vida. O fato desses primeiros passos no mundo da leitura acontecer no coletivo – seja na sala de aula, em família ou atividades em bibliotecas – também contribui para que os livros infantis fiquem tão marcados na memória. São muitas vezes sinônimos de afeto, compartilhamento e aventuras vividas através da imaginação.
Para o editor da Companhia Editora de Pernambuco (Cepe), Diogo Guedes, a data de hoje é de extrema importância tanto para celebrar as obras que dialogam diretamente com a infância, quanto para pensar sobre a formação de leitores. “O livro é, antes de tudo, um objeto de grande potência. Ele entretém, faz refletir, ensina, provoca emoções, quebra expectativas. E o livro infantil é justamente essa primeira porta de entrada. Os livros infantis apresentam novos universos, pontos de vista para as crianças”, pontua.
“Na Cepe temos um amplo catálogo e, além dos nossos títulos infanto-juvenis, incentivamos essa produção através do Prêmio Cepe. Pensamos sempre em como melhor atender esse público, trabalhamos tanto para os leitores muito iniciantes quanto os que já têm uma certa autonomia na leitura. Esse ano devemos publicar ainda ao menos três novos livros infantis e é sempre uma alegria”, pontua o editor.
Em Pernambuco não faltam talentos no universo da literatura infantil. Por isso, para celebrar a data de hoje, seguem dicas de 5 livros escritos e/ou ilustrados por pernambucanos:
A biblioteca da Bia, de Viviane Ferreira Santiago (Cepe Editora)
Vencedor do II Prêmio Cepe Nacional de Literatura Infantil e Infantojuvenil em 2019, A biblioteca da Bia é o primeiro livro da autora destinado ao público infantil. Conta de forma sensível sobre o luto, e como só o passar do tempo ameniza a dor da perda de alguém que se ama. A personagem narradora supera a dor quando consegue formar a biblioteca com que sua amiguinha sonhava, e sente que ela estará sempre presente na vida de todas as crianças que terão acesso aos livros e suas lindas histórias. As ilustrações são da recifense Luísa Vasconcelos.
Eu, passarinho, de Camilla Inojosa (La Ursa)
O livro surgiu a partir de uma história escrita por Maria Luíza, filha de Camilla, em uma das oficinas de literatura infantil que a autora ministra. O texto fala de como a vida exige trocas e reciprocidade, da importância de cuidar e ser cuidado. Ilustrações de Rafaella D’Oliveira.
Atchim!, de Miró (Cepe Editora)
As perguntas que as crianças fazem sobre a vida e sobre Deus são o mote deste poema de Miró, ilustrado por Cau Gomez. Atchim! é um passeio pela memória e pela descoberta da poesia que habita a criança que há em cada um de nós.
O rapto do galo, de Fabiana Karla (Rocco)
Às vésperas do Carnaval, o Galo da Madrugada desaparece. O rapto do símbolo do bloco pernambucano, que arrasta mais de dois milhões de pessoas todos os anos pelas ruas do Recife, é o ponto de partida para a preciosa homenagem de Fabiana Karla ao folclore de sua terra natal. Em sua estreia na literatura, a atriz e comediante compõe um cordel contemporâneo enriquecido com as xilogravuras e os retalhos de chita de Rosinha, premiada ilustradora, também pernambucana, vencedora do Prêmio Jabuti.
A vaca macaca, de Eduardo César Maia (Cepe Editora)
O professor e jornalista Eduardo César Maia inspirou-se nas filhas Lara e Marina para criar esta história que tenta explicar como o jogo da amarelinha se tornou um sucesso entre as crianças: foi graças a uma vaca manchada de amarelo, amiga de um esperto macaquinho que criou o jogo para alegrá-la. As ilustrações são de Ildembergue Leite, programador visual e apaixonado por desenho desde criança.




