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Tereza Costa Rêgo: a pintora amante da folia e das procissões

Costa Neto/Secult-PE/Fundarpe

Costa Neto/Secult-PE/Fundarpe

Tereza na sacada de sua casa, em Olinda

Bruno Souza

Amante confessa da folia e das procissões olindenses, a artista plástica Tereza Costa Rêgo, de 86 anos, é um ícone vivo da pintura pernambucana. Seus quadros, cheios de referências da cultura popular, já foram expostos/aclamados em diversas cidades do Brasil e do mundo, como São Paulo, Rio de Janeiro, Lisboa, Paris e Cuba, e revelam um valioso patrimônio do nosso povo. Recifense de origem, a pintora ainda criança encontrou, nas telas e nos pincéis, uma maneira de expressar seus sentimentos.

Aos 15 anos, ingressou na Escola de Belas Artes e, lá, seu ofício começou a ganhar contornos mais espessos, tendo faturado três prêmios do Museu do Estado e outro da Sociedade de Arte Moderna. Em 1962, realizou a primeira grande exposição, na Editora Nacional. Neste mesmo ano, Tereza conheceu o grande amor de sua vida: Diógenes Arruda. Dirigente do Partido Comunista, Arruda teve que fugir com a artista para São Paulo, onde, por motivos políticos, viveram na clandestinidade até 1969, quando ele foi preso. Costa Rêgo aproveitou o tempo fora do Recife para se dedicar à arte e aos estudos, e se formou em história na Universidade de São Paulo (USP).

Em 1972, seu companheiro foi libertado, e os dois seguiram juntos para o exílio no Chile, mas, a derrubada de Salvador Allende e a ditadura militar de Pinochet, forçaram a uma nova fuga, desta vez para a França. Afastada das filhas, fruto de um casamento de 14 anos, e dos irmãos, a artista abandonou um pouco a própria vida para ser a mulher do líder comunista. Porém, não deixou de pintar em momento algum e, inclusive, expôs seus quadros em Paris, assinando com o nome de Joanna.

De volta a sua pátria, e, após a perda de Diógenes, que não resistiu à chegada ao Brasil e morreu de ataque cardíaco, Tereza fixou residência em Olinda, no ano de 1979. Desde então, mora e pinta na mesma casa, que, como define, é uma espécie de toca-ateliê, localizado na Rua do Amparo.

“Desde que voltei do exílio, em 79, o Brasil, para mim, é Olinda. E Olinda, para mim, é a Rua do Amparo, que é de onde vejo, da janela da minha casa, as procissões, na Semana Santa, e o meu namorado, o Homem da Meia-Noite, no Carnaval. Como adoro pintar temas carnavalescos e religiosos, é daqui que extraio a matéria-prima dos meus quadros”, revela Teresa à série Meu Lugar na Cidade, do Portal Cultura.PE, que, em comemoração aos aniversários de Olinda e Recife, tem destacado a relação de afeto que os artistas mantêm com os espaços das duas cidades.

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