Mágico Alakazam – Wilson Ribeiro da Silva
Cidade: Palmares
Atividade/expressão cultural: circo
Ano de registro de Patrimônio Vivo: 2022
Onde tem o Mágico Alakazam tem espetáculo? Tem sim senhor! Memória viva do circo pernambucano e brasileiro, Wilson Ribeiro da Silva, conhecido por Mágico Alakazam, nasceu em 3 de maio de 1948, no município de Surubim, Estado de Pernambuco. Embora tenha toda uma vida dedicada ao circo, seu reconhecimento não veio como um passe de mágica. Wilson não concluiu o primário, mas fez do circo sua escola: passava o maior tempo possível com o circo Spano Mágico que instalou-se em sua cidade. Aos 6 anos de idade, o menino Wilson, enfeitiçado pelo mundo circense, com seu colorido e irreverência, fugiu sem documento algum com o referido Circo. Alakazam lembra bem o momento em que pôde apreciar pela primeira vez o espetáculo: “Era um circo fraquinho, mas quando entrei, fui logo pensando: vou ser dono de um desses”. Foi apenas aos 17 anos de idade, quando residia no munícipio baiano de Entre Rios, que obteve seu registro civil, o que reforça a infância e juventude difícil que teve.
No ano de 1960, ano de inauguração da televisão na cidade do Recife, integrou como contorcionista o elenco dos programas Cirquinho Fratelli Vita, na TV Rádio Clube de Pernambuco, e Vamos ao Circo, na TV Jornal do Commercio. Esta oportunidade colocou-lhe em contato direto com figuras famosas da arte e dramaturgia circenses. Ficou conhecido como o Menino Elástico. Como um artista completo, Alakazam também revelou-se trapezista. Em 1964, no entanto, Wilson levou uma queda durante a apresentação na cidade de Paulo Afonso, na Bahia. As consequências físicas foram severas e o médico que o atendeu lhe disse que, a condição para ele continuar atuando no circo seria a de tornar-se apresentador ou mágico. E assim o fez. Sua estreia como mágico foi na cidade baiana de Xorroxó.
Em 1967, veio o nome artístico que o consolidou no cenário circense: Mágico Alakazam. A inspiração veio de uma revista em quadrinhos. Com características físicas que se assemelham às de um árabe, Alakazam investiu em um turbante, um visual misterioso, e em apresentações consideradas exóticas e sinistras, como a de enterrar-se vivo dentro de um caixão junto às cobras. Todos esses atrativos, juntamente com seu talento, garantiram-lhe destaque ao público. Assim, o feitiço estava lançado. Em 1974, fundou seu próprio circo, o Circo Alakazam, satisfazendo aos anseios do pequeno Wilson de seis anos que levou consigo por toda a vida. Durante as décadas de 1960 e 1970, marcou presença em diversos programas de TV locais, levando irreverência para o público, tornando-se precursor na participação de artistas circenses na televisão.
Desde então, lançou livros e discos, foi homenageado pelo Conselho Municipal de Políticas Culturais do Recife com o Troféu Construtores da Cultura, bem como na Mostra de Circo da Cidade do Recife; recebeu prêmios de editais do então Ministério da Cultura e da Fundação Nacional de Artes, a Funarte, e o Prêmio Palhaço Cascudo de Incentivo às Artes Circenses, instituído pelo Governo de Pernambuco, por meio da Secretaria de Cultura de Pernambuco e da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco, Fundarpe; entre várias outras homenagens e reconhecimentos. Foi ainda protagonista do vídeo-documentário Circo Alakazam, de Gilberto Trindade, lançado em 2015.
Alakazam contribuiu e contribui significantemente para o desenvolvimento e a divulgação da arte circense, não apenas em suas apresentações, mas também através de oficinas e palestras em escolas; e repassa seus saberes aos elencos que ele organiza e forma. Trapezista, domador, contorcionista, cantor, apresentador e mágico, Alakazam foi reconhecido, em 2022, como Patrimônio Vivo de Pernambuco, incentivo que vem a apoiar as políticas de salvaguarda desse bem que é a arte milenar do circo, uma das mais populares e acessíveis do país. O menino Wilson, que foi cativado pelo mundo mágico do circo, agora cativa várias gerações por onde passa com o seu Circo, levando um show de alegria a todos e todas.
